terça-feira, 27 de abril de 2021

AMOR E ÓDIO " o ódio é o amor que adoeceu, porque a mesma energia que nós usávamos para construir e que agora utilizamos para destruir"

 FRAGMENTOS DO TEXTO

[...]Afirmam os seres que guiam a Humanidade, que o ódio é o amor que enlouqueceu. Sim, o ódio é o amor que adoeceu, porque a mesma energia que nós usávamos para construir e que agora utilizamos para destruir[...]Uma das faces do ódio, já que ele tem diversificadas faces, é o desprezo.[...]quando desprezamosnos isolamos, nos fechamos, nos entrincheiramos e gradualmente vamos sentindo que as outras pessoas odiadas por nós, desprezadas por nós, continuam vivendo. E, para o indivíduo que odeia, isso é terrível.[...]uma outra faceta do ódio, tanto ou mais terrível quanto o desprezo, é o desejo de vingançaSim, o odiento não se conforma em apenas desprezar. Deseja, em muitos momentos, fazer justiça com as próprias mãos.[...]a melhor forma de evitarmos essa onda de ódio que nos avassala é o amor. O amor que começa pela compreensão, a indulgência.



AMOR E ÓDIO


O pai da psicanálise, Sigmund Freud, estabeleceu que nós carregamos, por dentro d’alma, duas pulsões importantíssimas. Ele chamou de impulso de vida e impulso de morte.


O impulso de vida, que ele chamou de impulso de Eros, é aquele em que trabalhamos tudo que é bom, tudo que é para cima, tudo que é pró-vida, alegria, o trabalho, o entusiasmo, a amizade, a família. Tudo isso que faz a vida crescer, é chamado por Freud, impulso de vida.


Mas ele também chamou de impulso de morte aquelas pulsões em que nós apelamos para o desânimo, para a depressão, para o desalento, para a inimizade, para a calúnia. Tudo aquilo que faz a vida cair, tudo aquilo que faz a vida depreciada.


Daí então, dentro desse impulso de morte, que um de seus discípulos chamou de impulso tanatológico, nós encontramos o ódio.


O ódio é dessas forças terríveis que vão maculando a criatura, que vão destruindo o indivíduo e certamente infelicitando a criatura.


O ódio tem mil efeitos, cada um deles pior que o outro.


Quando pensamos nos efeitos do vago-simpático que o ódio provoca, a acidez, a diarréia, o desânimo; quando imaginamos a hipertensão, quando pensamos na depressão, na inapetência, todos esses elementos são provocados pelo ódio.


É uma força destrutiva por excelência, e quando começa, como uma caudal, ela não se detém. Essa força não pára se o detentor do ódio, aquele que está alimentando o ódio, não cair numa realidade expressivamente positiva de que essa força ou essa energia negativa que ele impulsiona, que ele conduz, não tiver termo.


É preciso então que pensemos que o ódio, antes de destruir a qualquer pessoa, de ser dirigido a qualquer coisa, ele primeiramente tenta e consegue desarticular o seu portador.


Portar o ódio é como carregar lixo na alma. Por isso, vale a pena pensar que essa força descontrolada, descompensada, essa força desnorteada em que o ódio se traduz, serve apenas para nos fazer morrer sempre um pouco mais.


Vale a pena pensar no que é que faz com que esse ódio apareça na nossa vida.


Afirmam os seres que guiam a Humanidade, que o ódio é o amor que enlouqueceu. Sim, o ódio é o amor que adoeceu, porque a mesma energia que nós usávamos para construir e que agora utilizamos para destruir. A mesma criatura sobre quem dirigíamos o olhar de ternura, agora dirigimos um olhar furioso, um espectro furibundo que parte de nossa intimidade na direção do opositor.


Vale a pena pensar que não tem sentido, depois de dois milênios da visita de Jesus a Terra e que nos propôs amar os próprios inimigos, orar por aqueles que nos perseguem e caluniam, não há sentido alimentar a força fragmentária do ódio que só faz mal a nós.


Por momento, poderemos prejudicar a alguém, causar infelicidade a alguém, entristecer alguém, através da calúnia, da maledicência ou de qualquer outra providência nefasta.


Mas, fundamentalmente, no fundo do vaso de nossa alma, ficam as borras criadas pelo ódio.

 

* * *


O ódio em si mesmo provoca apenas sofrimento. Toda pessoa que odeia é uma pessoa que sofre.

Impossível se imaginar que alguém capaz de odiar possa ser feliz.

É claro que as pessoas interpretam, encenam e muitas vezes não sabem que os problemas que passam a viver em suas vidas, estão atrelados a essa carga de ódio que desferem contra terceiros.


É muito comum que os indivíduos tenham ódio em função de variadas circunstâncias.


São muitos os fenômenos do cotidiano que incitam o indivíduo a sentir ódio, a sentir essa expressão negativa do caráter, que é eminentemente destrutiva.


Uma das faces do ódio, já que ele tem diversificadas faces, é o desprezo.


Quando sentimos desprezo por alguém ou por alguma coisa, a alma age como se esse alguém ou se essa coisa não existissem.


Como o odiento imagina que essa criatura seja-lhe inferior, não merece o seu olhar, não merece a sua atenção, não merece que ela lhe dirija a palavra Então, vai cortando, vai bloqueando todas as ações de contato, todos os movimentos de acesso. E isso vai caracterizando o desprezo. Deixar de prezar alguma coisa, deixar de considerar alguma coisa.


E quando nós desprezamos alguém, em realidade, estamos muito infelizes. Porque tudo quanto gostaríamos, lá no fundo do ser, era a possibilidade de ser amigo de todo mundo, de receber o aplauso de todo mundo, de ser gostado pelas pessoas, de ter acesso fácil em todo lugar, de onde chegarmos as pessoas nos tratarem com alegria, com entusiasmo, com amizade.


Mas quando desprezamos, nos isolamos, nos fechamos, nos entrincheiramos e gradualmente vamos sentindo que as outras pessoas odiadas por nós, desprezadas por nós, continuam vivendo. E, para o indivíduo que odeia, isso é terrível.


Toda criatura que odeia gostaria que o objeto do seu ódio fosse infeliz, se tornasse infeliz. Que pudesse uma hora dele precisar, e ele poder descarregar toda a carga do seu desprezo.


Mas, felizmente, isso não ocorre. As pessoas odiadas continuam vivendo suas vidas, porque elas só têm responsabilidades para com Deus.


Daí então, o desprezo desqualifica o odiento, atormenta-o cada vez mais e aumenta a sua infelicidade. E o odiento sofre.


Mas, uma outra faceta do ódio, tanto ou mais terrível quanto o desprezo, é o desejo de vingança. Sim, o odiento não se conforma em apenas desprezar. Deseja, em muitos momentos, fazer justiça com as próprias mãos.


Fulano me fez isso, há de pagar!

Se existe um Deus no céu, Fulano há de pagar o que me fez!

Então nós misturamos o nosso ódio com a ideia de Deus. Como se Deus estivesse ao lado de nosso desequilíbrio. Como se Deus estivesse aplaudindo nosso desregramento moral e por isto nós dizemos:


Eu não me vingo, mas Deus me vingará!

Quer dizer, se nós não nos vingamos, é porque já entendemos que isso não se faz, mas Deus, Ele que é o Autor do Universo, a Inteligência Suprema da vida, Ele se vingará em nosso nome.


Vejamos que isso não passa de uma brutal infantilidade. Nós somos ainda criaturas muito infantis em termos espirituais e imaginamos que o nosso impulso de vindita, de vingança, vai nos fazer mais felizes.


A vingança chega a termos inimagináveis. Desde a calúnia movida pela maledicência, em que nós jogamos pessoas contra outras pessoas, destilamos o veneno contra os outros, até o homicídio, até o suicídio.


Sim, Freud estabelece que todas as pessoas que se matam, elas são capazes de matar.


Muita gente se mata na impossibilidade de matar o objeto do seu ódio. E se mata para culpar o outro, para culpar a sociedade.


Alguns têm o desplante de deixar cartas, bilhetes, incriminando terceiras criaturas, por conta do seu suicídio.


Vemos que na hora final, quando ela se desbraga e sai do corpo, mesmo assim, o impulso negativo da alma infantilizada, do Espírito infeliz, ainda se mostra forte.


Desse modo, a melhor forma de evitarmos essa onda de ódio que nos avassala é o amor. O amor que começa pela compreensão, a indulgência.


Por que as pessoas erraram contra mim?


Porventura, não terei eu dado motivos independentemente do que aquele aborrecimento nos causou?


Será válido pensar nas razões que levaram alguém a falar contra mim, a falar de mim.


É importantíssimo deixar que o amor tome conta de nós, que o amor luarize nossas consciências, e como o ódio é o amor que enlouqueceu, vale a pena vacinar sempre o amor com esse remédio do trabalho, do relacionamento feliz, para que ele nunca adoeça, com esse remédio da confiança, do trabalho conjunto, da autodoação para que o amor nunca adoeça, sempre admitindo que as pessoas têm direito de se equivocar como nós.


E, por causa disso, ao invés de ódio, vale a pena o amor, até porque, segundo o Evangelista, Deus é amor.

RAUL TEIXEIRA


Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 108, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 22 de junho de 2008.

Em 11.5.2020


FONTE: http://www.feparana.com.br/topico/?topico=2154

segunda-feira, 26 de abril de 2021

SUBLIME AÇÃO

 

Pessoas há, imensamente generosas, que são tocadas de compaixão ante as necessidades do seu próximo e distendem-lhe mãos amigas de socorro e de amizade.


Repartem o pão, mesmo quando escasso, distribuem calor fraterno aos enregelados no abandono, brindam palavras gentis aos esfaimados de orientação.


Corteses e joviais, possuem verdadeiras fortunas de generosidade, desempenhando o seu papel de cidadania em alto clima de solidariedade.


Enquanto se encontram em posição de relevo, não se ensoberbecem e procuram auxiliar todos aqueles que lhes buscam apoio e necessitam do crescimento espiritual.


Esses homens e mulheres bem-intencionados contribuem em favor da sociedade que dignificam, mediante os bons exemplos de honradez, fomentando o progresso do grupo em que se encontram com os olhos postos no futuro da Humanidade.


Não importa se abraçam ou não qualquer religião.


Agem espontaneamente em decorrência dos sentimentos bons que lhes exornam o caráter.


Modelos sociais que se fizeram, conseguem movimentar-se em círculo de amizades prósperas, homenageados e em destaque onde se apresentam.


Tornam-se estímulos para outros, que ainda não conseguiram superar as barreiras do egoísmo nem os estigmas da indiferença ante a dor que ceifa esperanças a sua volta.


Representam biótipos que um dia se multiplicarão na Terra, tornando-se comuns, enquanto hoje rareiam.


Descobriram a arte de servir por meio da qual avançam intimoratos no rumo da própria felicidade.


Aprendendo a abrir o coração, ampliam os gestos de amor mediante as mãos solidárias ao sofrimento das demais criaturas.


Não cobram recompensa pelo que fazem, não exigem retribuição afetiva. O que praticam, realizam-no, porque lhes faz bem.


A verdadeira caridade, porém, conforme a entendia Jesus, é mais profunda, sendo benevolência para com todos, indulgência para as faltas alheias e perdão das ofensas. (Questão de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, de nº 886. Nota da autora espiritual. )


A verdadeira caridade expressa-se mediante ações morais, relevantes e graves.


Sem dúvida, a doação de alimentos, de roupas e de medicamentos, de moedas que resgatam dívidas, é valioso contributo para aquele que o recebe, evitando-lhe inomináveis padecimentos, situações desesperadoras e mesmo alucinações que terminam em desaires e crimes variados.


Toda e qualquer oferta, portanto, distendida a quem sofre, é portadora de contributo significativo em nome do Bem.


Não constituindo sacrifício para o doador, é bênção para o atendido, auxiliando o coração generoso a habituar-se no exercício da solidariedade e no cumprimento dos deveres fraternos que a vida impõe.


A ação sublime, no entanto, é mais escassa em razão dos sacrifícios de que se reveste.


A benevolência para com todos representa um sentimento de profundo amor pelo seu próximo, de compreensão pelos seus atos, por cuja manifestação identifica as suas necessidades evolutivas e não lhe cria embaraços na marcha.


A indulgência para as faltas alheias define-lhe o estágio moral avançado, após vencidas as etapas de desequilíbrio e sombra, que lhe ensinaram a entender quão difícil é a libertação dos atavismos primários que retêm na retaguarda.


O perdão das ofensas, por sua vez, é o auge das conquistas íntimas que desidentificam o ser das próprias imperfeições, porque se dá conta do quanto necessita ser perdoado, naquilo que se refere às próprias fraquezas e delitos que tem cometido.


Essa ação sublime é, sim, a verdadeira caridade como a entendia Jesus.


As dádivas de natureza material enfocam a caridade nas suas primeiras manifestações, avançando para as expressões morais, quais a benevolência para com todos os corações perversos e carentes, a tolerância ante as suas debilidades morais, olvido do mal e apoio àquele que o praticou.


Não bastará tolerar e até mesmo perdoar o mal que lhe é dirigido, mas sobretudo auxiliar aquele que derrapou na insensatez e gerou a situação infeliz. Ideal seria que esses sentimentos fossem acompanhados do olvido do erro, mas como isso independe do sentimento, estando mais afeto à memória, o treinamento de auxílio ao infrator contribui para o esquecimento da sua ação nefanda.


Treina a ação sublime no teu dia-a-dia, colocando, nas tuas práticas de bondade, as valiosas contribuições morais que te desvelem espiritualmente bem em relação ao teu próximo. Não esqueças todavia, de prosseguir no auxílio mediante as ofertas materiais de algum significado para os que necessitam desse imediato socorro.


Toma Jesus como teu modelo, sê benevolente, usando de indulgência e perdoando com total fraternidade até o momento em que consigas esquecer todo e qualquer mal para pensar somente no bem libertador.


Joanna de Ângelis

quarta-feira, 14 de abril de 2021

GRAU DE SENSIBILIDADE: "são homens sensíveis todos aqueles que aprenderam a focalizar intensamente a essência das coisas. Sabem sintetizar e observar sem julgamentos prévios as ocorrências e assuntos, examinando-os como eles se apresentam realmente, com uma lucidez e discernimento cada vez maiores[...]Os seres humanos sensíveis estão despertos tanto em seus sentidos externos quanto internos, estão vivos em plenitude, pois experimentam a atmosfera de cada momento."

 



"...Homem de uma capacidade notória que não a compreendem, enquanto que inteligências vulgares, de jovens mesmo, apenas saídas da adolescência, a apreendem com admirável exatidão em suas mais delicadas nuanças..." (Cap. XVII, item 4)


Na realidade, são homens sensíveis todos aqueles que aprenderam a focalizar intensamente a essência das coisas. Sabem sintetizar e observar sem julgamentos prévios as ocorrências e assuntos, examinando-os como eles se apresentam realmente, com uma lucidez e discernimento cada vez maiores.


Sensibilidade é patrimônio do espírito que já atingiu um certo grau de percepção e detecção proveniente do âmago dos fatos. Faculdade esta alicerçada no "senso de realidade", que tem a capacidade de penetrar nas idéias novas, captá-las e analisá-las sutilmente, com admirável eficiência e exatidão.


Há criaturas, porém, que se apegam somente aos fenômenos e manifestações espetaculares do mundo espiritual. Imaturas e insensíveis, não compreendem as consequências éticas existentes por detrás dessas mesmas manifestações.


Não percebem os horizontes ilimitados que se descortinam em razão da crença na imortalidade das almas, pois não foram "tocadas no coração" pelo sentimento de que o Universo é o lar que abriga a todos nós, viajantes na embarcação da Vida.


Por não possuírem a "parte essencial", não tomam consciência do fato de que existir é participar de uma constante renovação, que impulsiona as criaturas ao auto-aperfeiçoamento.


Há tempo de começar, crescer, transformar e recomeçar, num eterno reciclar de experiências. Todavia, aqueles cujo "nível de maturidade" foi desenvolvido se diferenciam dos outros, porque focalizam com seus sentidos acurados as profundezas das coisas e, em muitas ocasiões, conseguem até perceber que certas ciências são muito mais espiritualistas do que determinadas crenças ou cultos religiosos.


Ciências há que transcendem à vida física pelo somatório de bases universalistas: observam, no interagir das relações entre seres vivos e o meio ambiente, uma associação harmônica de "Ordem Divina" e de cunho fraternalista. Por outro lado, certas religiões deixam muito a desejar quanto ao sentimento de fraternidade: prometem recompensas imediatistas e ficam presas a dogmas materialistas de infalibilidade e autoritarismo.


Os seres humanos sensíveis estão despertos tanto em seus sentidos externos quanto internos, estão vivos em plenitude, pois experimentam a atmosfera de cada momento.


Estão sempre refletindo e discernindo suas emoções e sentimentos, porque já se permitem experimentar toda uma sucessão de sensações, que decorrem das experiências nas relações humanas.


Portanto, podemos confiar em que cada um de nós, a seu tempo, sensibilizar-se-á pelas coisas espirituais, visto que o desenvolvimento de nosso grau evolutivo transcorre natural e incessantemente em decorrência dos impulsos de progresso que recebemos das leis divinas existentes em nós mesmos.


Aqueles que se prendem unicamente aos fenômenos mediúnicos e em nada se transformam espiritualmente encontrarão mesmo assim, nesse comportamento, "um primeiro passo que lhes tornará o segundo mais fácil numa outra existência".


Trata-se de um processo que não ocorre da noite para o dia, mas que se vai projetando ao longo do tempo e sempre acontece quando estamos prontos para crescer.


Aliás, "quando o aluno está pronto, o professor sempre aparece".


Hammed

segunda-feira, 5 de abril de 2021

CONVENIÊNCIA : "Jesus nos pede desinteresse nas relações, e não imposições de conformidade com as nossas paixões. Ele nos ensina a lição de não manipularmos ocasiões, porque toda cobrança fragiliza relacionamentos, e em verdade é uma questão de tempo para que tudo venha a ruínas."

 




"... Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis nem vossos amigos, nem vossos irmãos, nem vossos parentes, nem vossos vizinhos que forem ricos, de modo que eles vos convidem em seguida, a seu turno, e que, assim, retribuam o que haviam recebido de vós...) (Cap. XIII, item 7)


Fazer o bem pelo único prazer de fazê-lo, amar sinceramente dando o melhor de nós mesmos sem pensar em retribuições - eis a base do amor incondicional. A sinceridade é o melhor antídoto para afastar falsas amizades.


Convidar à mesa os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos- na recomendação de Jesus - é angariar relacionamentos satisfatórios, leais, estimulantes, sem segundas intenções.


Talvez por querermos levar vantagens e proveito em tudo, tenhamos atraído para o nosso círculo afetivo amizades vazias, distorcidas, que representam verdadeiros parasitas de nossas energias.


Por isso nos sentimos, algumas vezes, inadaptados ao meio em que vivemos. Mas se amarmos por amar, encontraremos criaturas que não se preocuparão com as escalas hierárquicas e nos aceitarão como somos.


Não esperarão de nós toda a sabedoria para todas as respostas, apenas compartilharão conosco o carinho de bons amigos. O refrão da conveniência é: "vou te amar se..."


Se me recompensares, serei teu amigo. Se me convidares, eu te prestigiarei. Se ficares sempre a meu lado, eu te amarei. Se concordares comigo, concordarei contigo.


Jesus nos pede desinteresse nas relações, e não imposições de conformidade com as nossas paixões. Ele nos ensina a lição de não manipularmos ocasiões, porque toda cobrança fragiliza relacionamentos, e em verdade é uma questão de tempo para que tudo venha a ruínas.


Os sentimentos verdadeiros não são mercadorias permutáveis, mas alimentos nutrientes das almas, os quais nos dão fortalecimento durante as provas e reerguimento perante lutas expiatórias.


Quando esperamos que os outros supram nossas carências e nos façam felizes gratuitamente, não estamos de fato amando, mas explorando-os.


Ao identificarmos jogos de manipulação, procurem relembrar nossa verdadeira missão na Terra, pois sabemos que não viemos a este mundo a fim de agradar os outros ou viver à moda deles, mas para aprender a amar a nós mesmos e a outros, sem condições.


Em muitas ocasiões, fundimos nossos sentimentos com os de outros seres — cônjuge, pais, filhos, amigos, irmãos -perdemos nossas fronteiras individuais, por ser momentaneamente conveniente e cômodo. A partir daí, esperamos sempre retribuições deles, nossos amados, e sofreremos se eles não fizerem tudo como desejamos.


Esquecemos de abrir o círculo da afetividade para outros seres e não percebemos o quanto é saudável e imensamente vitalizante essa postura. Continuamos a convidar à mesa somente aqueles com quem fazemos questão de compartilhar mútuos interesses.


Embora, de início, não avaliemos o mal que essa atitude nos causa, é provável que soframos a solidão num amanhã bem próximo, pois os laços afetivos podem ser desfeitos pela morte física ou por separações outras. Por termos restringido esses, vínculos afetivos, sentiremos certamente a tristeza de quem se acha só e abandonado como se tivesse perdido o "chão".


A observação dos jogos sociais dar-nos-á sempre uma real percepção de onde e quando existem encontros unicamente realizados para a busca de vantagens pessoais. E para que possamos promover autênticos encontros, providos de sinceridade e boas intenções, é preciso sejamos primeiramente honestos com nós mesmos, para atrairmos as legítimas aproximações, através de nossos pensamentos e propósitos de franqueza.


A vantagem dos relacionamentos sinceros é uma abertura de nossa afetividade em círculos cada vez maiores, que, por sua vez, edificarão uma atmosfera de carinho e lealdade em torno de nós mesmos, atraindo e induzindo criaturas francas e maduras a partilhar conosco toda uma existência no Amor.


Hammed

POSTAGENS ATUAIS

AUTOCOMPAIXÃO: "Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas."

  Psicologicamente,  o homem que cultiva a autopiedade desenvolve  tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se ...