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quarta-feira, 14 de abril de 2021

GRAU DE SENSIBILIDADE: "são homens sensíveis todos aqueles que aprenderam a focalizar intensamente a essência das coisas. Sabem sintetizar e observar sem julgamentos prévios as ocorrências e assuntos, examinando-os como eles se apresentam realmente, com uma lucidez e discernimento cada vez maiores[...]Os seres humanos sensíveis estão despertos tanto em seus sentidos externos quanto internos, estão vivos em plenitude, pois experimentam a atmosfera de cada momento."

 



"...Homem de uma capacidade notória que não a compreendem, enquanto que inteligências vulgares, de jovens mesmo, apenas saídas da adolescência, a apreendem com admirável exatidão em suas mais delicadas nuanças..." (Cap. XVII, item 4)


Na realidade, são homens sensíveis todos aqueles que aprenderam a focalizar intensamente a essência das coisas. Sabem sintetizar e observar sem julgamentos prévios as ocorrências e assuntos, examinando-os como eles se apresentam realmente, com uma lucidez e discernimento cada vez maiores.


Sensibilidade é patrimônio do espírito que já atingiu um certo grau de percepção e detecção proveniente do âmago dos fatos. Faculdade esta alicerçada no "senso de realidade", que tem a capacidade de penetrar nas idéias novas, captá-las e analisá-las sutilmente, com admirável eficiência e exatidão.


Há criaturas, porém, que se apegam somente aos fenômenos e manifestações espetaculares do mundo espiritual. Imaturas e insensíveis, não compreendem as consequências éticas existentes por detrás dessas mesmas manifestações.


Não percebem os horizontes ilimitados que se descortinam em razão da crença na imortalidade das almas, pois não foram "tocadas no coração" pelo sentimento de que o Universo é o lar que abriga a todos nós, viajantes na embarcação da Vida.


Por não possuírem a "parte essencial", não tomam consciência do fato de que existir é participar de uma constante renovação, que impulsiona as criaturas ao auto-aperfeiçoamento.


Há tempo de começar, crescer, transformar e recomeçar, num eterno reciclar de experiências. Todavia, aqueles cujo "nível de maturidade" foi desenvolvido se diferenciam dos outros, porque focalizam com seus sentidos acurados as profundezas das coisas e, em muitas ocasiões, conseguem até perceber que certas ciências são muito mais espiritualistas do que determinadas crenças ou cultos religiosos.


Ciências há que transcendem à vida física pelo somatório de bases universalistas: observam, no interagir das relações entre seres vivos e o meio ambiente, uma associação harmônica de "Ordem Divina" e de cunho fraternalista. Por outro lado, certas religiões deixam muito a desejar quanto ao sentimento de fraternidade: prometem recompensas imediatistas e ficam presas a dogmas materialistas de infalibilidade e autoritarismo.


Os seres humanos sensíveis estão despertos tanto em seus sentidos externos quanto internos, estão vivos em plenitude, pois experimentam a atmosfera de cada momento.


Estão sempre refletindo e discernindo suas emoções e sentimentos, porque já se permitem experimentar toda uma sucessão de sensações, que decorrem das experiências nas relações humanas.


Portanto, podemos confiar em que cada um de nós, a seu tempo, sensibilizar-se-á pelas coisas espirituais, visto que o desenvolvimento de nosso grau evolutivo transcorre natural e incessantemente em decorrência dos impulsos de progresso que recebemos das leis divinas existentes em nós mesmos.


Aqueles que se prendem unicamente aos fenômenos mediúnicos e em nada se transformam espiritualmente encontrarão mesmo assim, nesse comportamento, "um primeiro passo que lhes tornará o segundo mais fácil numa outra existência".


Trata-se de um processo que não ocorre da noite para o dia, mas que se vai projetando ao longo do tempo e sempre acontece quando estamos prontos para crescer.


Aliás, "quando o aluno está pronto, o professor sempre aparece".


Hammed

sábado, 20 de fevereiro de 2021

O DESERTO "Hodiernamente, o deserto pode ser considerado como a viagem de interiorização, na busca da realidade que se é. A mente, auto-analisando-se, percebe quais as necessidades verdadeiras e aquelas secundárias que são distrações, mediante a busca do poder e do prazer, facultando-se eleger as melhores diretrizes para conseguir a superação do sofrimento, o encontro com Deus, que no mundo agitado faz-se quase impossível de o conseguir. Nessa região inexplorada e desértica da alma, o Espírito refrigera-se na esperança, renovando a coragem para enfrentar as refregas do cotidiano""




                                                      O DESERTO




Em face da balbúrdia que estruge voluptuosa em toda parte, o ser humano movimenta-se aturdido, sem rumo.


A sensibilidade emocional aguçada, em decorrência da ansiedade como da frustração, torna-o insatisfeito, atormentado, paranóide com tendência esquizóide que o vergasta, infelicitando-o.


Os apelos incessantes para as extravagâncias e os apetites sexuais desorganizam-no interiormente, fazendo-o sentir-se incompleto, mesmo quando tudo, aparentemente, se encontra com aspecto compensador.


Ocorre que o Espírito é o ser fundamental e não o corpo, ao qual se imanta pela necessidade de evolução, permanecendo escravo, quando jovem, pelo que gostaria de fruir e quando idoso, lamentando o que não desfrutou.


Essa dificuldade de entender o objetivo real da vida proporciona-lhe um comportamento paradoxal, pois que, podendo conquistar a liberdade, demora-se na escravidão espontânea, vivenciar a felicidade, fixa-se nos tormentos, conseguir o bem-estar pleno, detém-se na insegurança do que já dispõe.


Cada um vive exteriormente as paisagens íntimas que cultiva.


Apegando-se aos valores relativos do mundo, alegra-se e aflige-se, conquista e perde, demorando-se em vicissitudes desnorteantes.


A cada momento faz-se-lhe mais urgente a introspecção, a análise cuidadosa das aspirações, bem como dos projetos de vida.


No passado e ainda em alguns lugares no presente, homens e mulheres necessitados de paz têm buscado o silêncio em monastérios de reclusão, em eremitérios especiais, nos montes isolados, nos desertos ...


A fim de refundir o ânimo e a capacidade do povo judeu, longamente escravizado pelos egípcios, nele despertando sentimentos novos, Moisés levou-o ao deserto por quarenta anos, a fim de que tivesse tempo de avaliar a própria situação. Embora os rudes embates experimentados, criou uma cultura rígida e fiel aos postulados abraçados, que vem atravessando os milênios, sem perda do objetivo anelado.


O príncipe Sidartha Gautama, anelando pela paz, após haver experimentado o poder, a dissolução e o ócio, procurou técnicas de recolhimento sem o conseguir, até que, no deserto, adquiriu a iluminação.


Jesus, ensinando esquecimento de si mesmo, ante a imperiosa necessidade de prosseguir Uno com Deus, buscou o deserto onde jejuou por quarenta dias e quarenta noites.


Saulo de Tarso, após o encontro revolucionário com Jesus, foi para o deserto a fim de meditar, amadurecendo os conceitos novos que lhe chegaram, de modo que não lhe diminuísse o ânimo nem o devotamento, quando se resolveu por dedicar-se ao ministério de iluminação.


O deserto, facultando a solidão, o silêncio, induz o Espírito à reflexão, especialmente se buscado para essa finalidade.


Hodiernamente, o deserto pode ser considerado como a viagem de interiorização, na busca da realidade que se é.


A mente, auto-analisando-se, percebe quais as necessidades verdadeiras e aquelas secundárias que são distrações, mediante a busca do poder e do prazer, facultando-se eleger as melhores diretrizes para conseguir a superação do sofrimento, o encontro com Deus, que no mundo agitado faz-se quase impossível de o conseguir.


Nessa região inexplorada e desértica da alma, o Espírito refrigera-se na esperança, renovando a coragem para enfrentar as refregas do cotidiano, sem os atropelos injustificáveis nem os recuos proporcionados pelo desânimo.


O grande silêncio, ao qual não está acostumado invade-o, dando-lhe uma sensação de segurança e de paz, enquanto a mente desperta para o exame de si mesma, diluindo os vapores tóxicos do imediatismo, pensando no futuro irisado de bênçãos.


Ali não há lugar para conflitos, logo passam os primeiros períodos de recolhimento, quando então as ambições acalmam-se, e no seu lugar permanecem o equilíbrio e a alegria.


Em face da transitoriedade de tudo quanto é terreno, diante do permanente onde a vida se desenvolve, as questões fundamentais assomam e passam a direcionar a razão e a emoção, propiciando bem-estar, fortalecimento e harmonia.


Mesmo no convívio com as demais pessoas que se encontram em turbulência, as conquistas hauridas no deserto mais se fortalecem, estimulando ao prosseguimento das afirmações internas que agora brotam em exuberância.


A paz irradia-se do coração, e a mente encontra-se aberta às propostas do amor e da caridade, como até antes ainda não havia ocorrido.


Sem a aprendizagem na quietação da alma, nessa noite escura que o silêncio clareia de luzes formosas, o amor como a caridade são apressados, assinalados pelos interesses do ego, facilmente alteráveis, conforme o humor de cada momento. A saturação, o vazio existencial, o cansaço, assomam com freqüência porque a ação é feita de entusiasmo sem reflexão e de audácia sem sabedoria.


Conta-se que São Bernardo, certo dia, sentindo-se agitado, diante dos muitos afazeres, enquanto transitava de um para outro lado, deteve-se e refletiu: Bernardo, para onde estás correndo, se somente um destino é o correto - Jesus?! De imediato, asserenou-se, passando a resolver todas as questões em clima de alegria e de bom humor, sem pressa nem tormento.


Quando se está afadigado na busca de diferentes objetivos, superficiais uns e desnecessários outros, a vida transcorre agitada, o tempo-sem-tempo faz-se um tormento, retirando os benefícios da luta.


Por isso, torna-se necessária a ida ao deserto, a fim de conseguir-se os tesouros que proporcionam soluções adequadas e respostas próprias a todas as questões afligentes da existência.


É natural que o ser humano procure viver de maneira compatível com a época e as circunstâncias sociais em que se encontra. Todavia, é-lhe um desafio a eleição de conduta em torno da sua realidade espiritual, que não deve ser ignorada ou, quando identificada, não ser postergada .


O deserto faz parte da existência humana.

Não são poucos os indivíduos que nele se precipitam, infelizmente, nas regiões inóspitas do sentimento, vazias de realidade, abandonadas pelas aspirações superiores da vida. É o abismo da alma, ao qual se atiram aqueles que perdem os objetivos imediatistas, que desfalecem nos combates por falta de confiança em novas batalhas, que se entregam ao medo, à frustração ou se deixam consumir pela revolta, pelo ódio, pelo ressentimento ...


Nessa área de difícil saída estorcegam aqueles que se descuidaram de si mesmos e rumaram pelos caminhos sem saída apresentados pela ilusão.


Quando buscado conscientemente, para meditar, orar, descobrir-se, o deserto refloresce em uma primavera intérmina sob os cuidados de Jesus.


Joanna de Ângelis

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

VISITAR ENFERMOS '''' FAZE-TE PRESENTE JUNTO AOS ENFERMOS, QUANTO TE SEJA POSSÍVE. A SAÚDE, NA TERRA, É DOM PRECIOSO , QUE SOFRE PERIÓDICAS ALTERAÇÕES , CONVIDANDO AS PAUSAS DE REFLEXÃO E DE ESFORÇO INTERIOR.[...] NA DOENÇA, TODOS SE RENOVAM COM UM SORRISO GENTIL, UMA PALAVRA DE ÂNIMO , UMA VISITA FRATERNAL , DEMONSTRANDO-LHES QUE NÃO ESTÃO A SÓS NO TESTEMUNHO EVOLUTIVO.""

 



                VISITAR ENFEMOS :




A vida moderna exaustiva e, às vezes, extravagante, por necessidades reais e imaginárias, toma as horas físicas e mentais dos seres humanos, sobrecarregando-os de preocupações que os estressam. Em conseqüência, os distúrbios de comportamento aumentam a sua estatística tormentosa, demonstrando que as grandes conquistas de fora não conseguiram harmonizar a criatura interior.


A desenfreada ansiedade e a incessante busca pela posse de artefatos e de coisas para preencher o vazio existencial, de forma alguma lograram plenificar aquele que se afadiga pelo conseguir.


Aplicando todo o tempo disponível na realização desse objetivo que parece básico para uma existência feliz, empenha-se cada vez mais, não se dando conta de outros valores que permanecem aguardando a sua atenção e interesse.


Dessa forma, após conseguirem aquela meta inicial, perdem o encanto todos aqueles que assim procediam, transferindo para as coisas o tormento íntimo, continuando tão frustrados quanto antes, por constatar a falta de sentido e de significação de que aparentemente se revestem.


Somente possui valor aquilo que pode ser envolvido pelo amor, preenchido pelo amor, irradiando amor.


Não é, pois, na quantidade, que está a solução dos problemas emocionais, mas na qualidade da conquista, no seu objetivo relevante.


Em face dessa circunstância, a que representa ambição desmedida, as amizades são apressadas, os conhecimentos humanos são superficiais, as afeições são interesseiras, não harmonizando de forma significativa a emoção pessoal.


Diz-se que esse é um mecanismo de autodefesa, de que se utilizam as criaturas humanas, a fim de evitarem sofrer dilacerações interiores, prejuízos psicológicos, tendo em vista os insucessos iniciais experimentados.


Não têm razão, porém, esses que assim pensam. O importante não é a resposta que advém da oferta que se faz, mas é, ela em si mesma, que tem significação, mediante o enriquecedor ato praticado.


Se, por acaso, produz conseqüências inamistosas ou gravames perturbadores, a raiz desse efeito encontra-se naquele que responde mal ao bem que recebe, merecendo ser realmente assistido, porque é portador de desequilíbrio e de tormentos, de que talvez não se dê conta.


O escrúpulo, que nasce do pessimismo, é tão negativo quanto o entusiasmo, que resulta da irreflexão.


Dessa forma, amigos surgem, passam e desaparecem, substituídos por outros igualmente transitórios, rápidos.


Vale, porém, a pena, investir mais no ser humano, oferecer-lhe mais luz de entendimento e de confiança, de respeito e de estima.


Altera, portanto, a tua maneira de relacionar-te. Cuida mais e melhor dos teus conhecidos e evita revidar com animosidade as ondas mentais molestas que te enviam os inimigos.


Reserva-te alguns minutos diários para a fraternidade, embora a agitação dos teus compromissos, e constatarás quanto este comportamento te fará bem.


Nem todos que se te acercam são frívolos ou insensatos, como pensas. Examina com mais cuidado as pessoas a quem te afeiçoas e descobrirás tesouros de amizade que te surpreenderão.


Há muitos amigos que te estimam, e quando desaparecem da tua presença, talvez não seja por ingratidão ou indiferença, mas porque foram compelidos a distância, porque passam por dificuldades que desconheces, por compromissos novos, ou vitimados por enfermidades.


Procura informar-te sobre eles, quando lhes notes a falta.


Se enfermos, visita-os, levando-lhes a tua solidariedade, a tua palavra de amizade, a chama da tua fé espiritual.


Essa atitude constitui generosa fonte de caridade que é pouco praticada.


Se, de todo, as circunstâncias não te permitirem, embora sempre possas fazê-lo se te empenhares honestamente, escreve-lhes algo, endereça-lhes vibrações de saúde, telefona-lhes, diz-lhes que os estimas e que lhes sentes a ausência.


Faze-te presente junto aos enfermos, quanto te seja possível. A saúde, na Terra, é dom precioso, que sofre periódicas alterações, convidando a pausas de reflexão e de esforço interior.


Usa-a para espalhar o bem-estar e não apenas para amealhar valores passageiros.


Aplica-a também em favor do teu próximo, o irmão que padece enfermidades e experimenta sofrimentos, muitas vezes disfarçados em sorrisos pálidos e rostos esquálidos.


Assim agindo, distribuindo bênçãos, recolherás preciosas gemas de paz e de bem-estar.


Somente é possível valorizar-se algo, quando se tem carência ou necessidade inadiável.


Na doença, todos se renovam com um sorriso gentil, uma palavra de ânimo, uma visita fraternal, demonstrando-lhes que não estão a sós no testemunho evolutivo.


Doa, portanto, hoje, e estarás acumulando haveres que não enferrujam, as traças não roem, os ladrões não roubam.


Quando visitares enfermos, não lhes imponhas a descrição do seu quadro orgânico ou emocional, exigindo que te narre o problema de saúde que vem sofrendo.


Se te aborda o tema, ouve-o com atenção e evita aumentar-lhe a preocupação, falando sobre outros dramas e tragédias do teu conhecimento.


Sê otimista sem exagero, realista sem crueza. Conversa, edificando, se a ocasião o permitir.


Não prolongues a tua visita, tornando-a cansativa. Atua de forma que o paciente anele pelo teu retorno à sua cabeceira.


Conforta-o com uma leitura edificante, com notícias auspiciosas, com uma oração refazente.


Se ele solicitar-te a aplicação de passes, faze-o sem jactância, não deixando falsa impressão de cura milagrosa ou pronto restabelecimento. A caridade é gentil e discreta, bondosa e calmante.


Diante de alguém enfermo, recorda-te de Jesus e entrega-o à Sua proteção, procurando ser o instrumento de que Ele se possa utilizar para encorajá-lo e apaziguá-lo.


Sempre, pois, que possível, visita os irmãos que se encontram enfermos.


Joanna de Ângelis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

OUVIR COM O CORAÇÃO ""SOMENTE QUANDO SE PODE OUVIR COM O CORAÇÃO, É QUE A MENSAGEM ENCONTRA RESSONÃNCIA E PODE REPERCUTIR NA ALMA QUE CHORA"

 

     


         OUVIR COM O CORAÇÃO


Além da faculdade de escutar-se com os ouvidos, pode-se fazê-lo também com a mente, com a emoção, com interesse, com malícia, com descaso, com ressentimento, com alegria, com o coração ...


A arte de ouvir é muito complexa.


Normalmente se ouvem as informações pensando-se em outras questões que predominam, desviando a atenção e impedindo que se fixem as impressões daquilo que se informa.


Algumas vezes, ouvem-se as narrativas que são apresentadas com estados de espírito crítico e perdem-se os melhores conteúdos, porque não estão de acordo com o pensamento e a conduta de quem escuta.


Em diversas oportunidades, ouvem-se as pessoas com indiferença, pensando-se nos próprios problemas e inquietações, distantes do sofrimento alheio, por considerar-se muito grande o próprio.


É comum ouvir-se por obrigação social ou circunstancial, estando-se noutro lugar e situação mental, embora fisicamente ao lado.


As criaturas humanas convivem umas com as outras, mantendo-se sempre estranhas, não conseguindo sair do próprio cárcere em que restringem os passos, embora preservando a aparência de livres.


Por conseqüência, a solidão e a depressão aumentam na razão direta em que se avolumam os grupos sociais, sempre ávidos de novidades e posses transitóriias, quase coisas nenhumas.


A saturação que decorre do mesmismo, das atividades repetitivas, embora de alta gravidade, que terminam por se transformar em corriqueiras para quem as escuta, responde pelo aturdimento e desinteresse daqueles que se colocam na condição de ouvintes.


Especialmente as pessoas que escutam as narrações dos sofrimentos humanos, de tal forma se acostumam com os dramas e tragédias que, por mecanismo defensivo, distanciam-se dos fatos e oferecem palavras destituídas de emoção e de significado, que momentaneamente atendem aos aflitos, sem os confortar com segurança.


É compreensível essa atitude, porque também são indivíduos que sofrem pressões, angústias, ansiedades e organizam programas de felicidade que não se completam conforme gostariam.


Tornam-se, desse modo, ouvintes insensíveis. Despertando para a circunstância aflitiva, de que eles também necessitariam de ser ouvidos e orientados, na solidão em que se encontram, nas necessidades a que estão expostos, são induzidos a fazer uma avaliação de conduta, mudando de atitude em relação àqueles que os buscam.


Passam então a ouvi-las com o coração.


Isto é, participam da narrativa do outro com espírito solidário, saindo da própria solidão.


Ouvir com o coração!


Quem narra um drama é gente que, como tal, deve ser considerada.


Não é um caso a mais, um cliente, um necessitado, um pesadelo do qual se deve descartar.


Está sobrecarregada e não sabe como prosseguir.


Necessita de ajuda. Requer atenção.


Pode ser molesto para quem ouve. No entanto, uma palavra dita com o coração consegue o milagre de modificar-lhe a visão em torno do que lhe ocorre, encorajando-a para prosseguir no cometimento.


Um sorriso de compreensão dá-lhe um sinal de que está sendo entendida e encontrou alguém que com ela simpatiza e dispõe-se a ser-lhe amigo.


Escasseiam os amigos, os afetos verdadeiros. Multiplicam-se aqueles que fazem parte dos mortos-vivos da sociedade consumista, quando ela necessita de seres que pensam e que sentem, vibrando em espírito de solidariedade.


Cada pessoa é um país a conquistar-se e a ser conquistado.


Particularmente, quando está fragilizada, isolada na ilha da sua aflição, perdida na fixação do sofrimento, anseia por outrem que lhe possa arrancar a âncora infeliz que lhe retém a embarcação existencial nesse penhasco sombrio.


Somente quando se pode ouvir com o coração, é que a mensagem encontra ressonância e pode repercutir na alma que chora.


Não poucas vezes, o cansaço que a todos acomete, a irritação que se deriva dos problemas quotidianos, o mal-estar decorrente dos problemas existenciais armam o indivíduo de indiferença pelo seu próximo, tapando-lhe os ouvidos do coração.


Jesus o disse com muita propriedade: ... Eles têm ouvidos, mas não ouvem.


Os seus são ouvidos bloqueados para o mundo exterior, em razão dos conflitos internos e dos estrídulos sons morais que os estremecem e agoniam.


Há, no entanto, uma forma para a mudança de conduta, beneficiando-se e auxiliando aos demais.


Procurar ouvir em cada ser uma história, como se fosse um escritor, um jornalista, alguém interessado na outra vida.


Descobrir o novo, o inusitado no seu próximo, com olhos mais percucientes, penetrando no âmago da ocorrência.


Deixar-se inspirar pelo outro, pela sua necessidade, pela sua aflição, pela sua alegria e mensagem, quando isso ocorrer.


Além de ouvir, oferecer algo em troca: uma palavra alentadora, um gesto fraternal em forma de abraço, um sorriso compassivo, qualquer coisa que responda ao suplicante de maneira encorajadora.


Ampliar o coração no rumo de quem fala ou de quem apenas, em silêncio, demonstra a sua terrível aflição.


Ouvir com o coração é também uma forma feliz de falar com o coração, mediante ou não o uso de palavras.


É vibração de amor que se expande e que retorna em música de solidariedade.


Os médicos, invariavelmente, utilizando-se do estetoscópio, auscultam o coração dos seus pacientes, mas raramente escutam a mensagem discreta que ele transmite, pedindo socorro fraternal, ajuda emocional, bondade estimuladora.


Aprende, tu, a ouvir com o coração, tudo quanto outros corações estejam procurando dizer-te. Descobrirás um mundo totalmente novo, enriquecedor, no qual te encontras e ainda não havias percebido, alegrando-te com a honra imensa de estar nele e ajudá-lo a ser cada vez mais feliz.


Joanna de Ângelis

POSTAGENS ATUAIS

AUTOCOMPAIXÃO: "Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas."

  Psicologicamente,  o homem que cultiva a autopiedade desenvolve  tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se ...