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segunda-feira, 3 de maio de 2021

AUTOCOMPAIXÃO: "Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas."

 



Psicologicamente, o homem que cultiva a autopiedade desenvolve tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se entrega.

Reflexões sobre dificuldades pessoais constituem fenômeno auxiliar para ações dignificadoras, facultando a identificação dos recursos disponíveis, bem como avaliação das atitudes que redundaram em insucesso ou desequilíbrio, a fim de as evitar no futuro ou corrigi-las quanto antes.

Toda aprendizagem assenta-se nos critérios do erro e do acerto, selecionando as experiências consideradas saudáveis, benéficas, que se fixam pela natural repetição.

Desse modo, os insucessos são patamares que propiciam avanços para que se alcancem degraus mais elevados.

Quando, porém, o indivíduo elege a posição de vítima da vida, assumindo a lamentável condição de infelicidade, encontra-se a um passo de perturbações
emocionais graves, logo derrapando em psicopatologias devastadoras.

A mente, conforme seja acionada pela vontade, torna-se cárcere sombrio ou asas de libertação, e ninguém se lhe exime à influência.

Conduzida pelos escuros corredores da lamentação, desatrela condicionamentos que aprisionam o ser demoradamente.

Por isso mesmo, o cultivo da autocompaixão, mediante a insistente reclamação em torno dos acontecimentos da vida, demonstrando insatisfação sistemática, transforma-se em mecanismo masoquista de perturbadora presença no psiquismo. 

A pseudo-aflição mantida converte-se em motivo de alegria, realizando um mecanismo de valorização pessoal, cujo desvio comportamental plenifica o ego.

Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de
insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo,
inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas. Desenvolve os sentimentos de indiferença pelos problemas dos outros, fechando-se no círculo diminuto da personalidade mórbida.

No seu atormentado ponto de vista, somente a sua é uma situação dolorosa, digna de apoio e solidariedade. E, quando essas expressões de socorro lhe são dirigidas, reage, recusando-as, a fim de permanecer na postura de infelicidade que o torna feliz.

Aquele que se entrega à auto compaixão nunca se satisfaz com o que tem, com o que é, com os valores de que dispõe e pode movimentar. Não raro, encontra-se mais bem aquinhoado do que a maioria das pessoas no seu grupo social; no entanto, reclama e convence-se da desdita que imagina, encarcerando-se no sofrimento e exteriorizando mal-estar à volta, com que contamina as pessoas que o cercam ou que se lhe acercam.

Os grandes vitoriosos do mundo lutaram com tenacidade para romper os limites, os problemas, as enfermidades, os desafios. Não nasceram fortes; tornaram- se vigorosos no fragor das batalhas travadas. Não se detiveram na
lamentação, porque investiram na ação todo o tempo disponível.

Milton, o poeta cego, prosseguiu escrevendo excelentes poemas, ao invés
de lamentar-se; Beethoven continuou compondo, e com mais beleza, após a surdez total; Chopin, tuberculoso, deu seguimento às músicas ricas de ternura,
entre crises de hemoptises, e Mozart, na miséria, sofrendo competições ultrizes, traduziu para os ouvidos humanos as belas melodias que lhe vibravam na alma...

Epícteto, escravo e doente, filosofava, estóico; Demóstenes, gago, recorreu a seixos da praia, colocando-os sobre a língua, para corrigir a dicção; Steinmetz, aleijado, contribuiu para o engrandecimento da Quimica...
Franklin D. Roosevelt, vitimado pela poliomielite, tornou-se presidente da América do Norte e colaborou grandemente para a paz mundial durante a Segunda Guerra; Helen Keller, cega, surda e muda, comoveu o mundo com a sua coragem, cultura, e amor a Deus, ao próximo, à vida e a si própria...

A galeria é expressiva e iluminada pelo gênio e pela coragem desses homens e mulheres extraordinários.

Quando se mantém a autocompaixão, extermina-se o amor, não se amando, nem tampouco a ninguém.

O homem tem o dever de aprofundar meditações em torno das aflições e dos seus problemas, a fim de os superar.

A desenvolvimento saudável do ser psicológico impele-o à confiança e o induz à atividade para a aquisição do sentido da vida, da sua finalidade.

Quem de si se compadece, recusa-se a crescer e não luta, estagiando na amargura com a qual se compraz.

Fator de desintegração da personalidade, a auto-compaixão deve ser rechaçada sempre e sem qualquer consideração, cedendo espaço mental para os tentames que levam à vitória, à saúde emocional e à harmonia íntima.

Livro : O Ser Consciente

Divaldo/Joana de Angelis

terça-feira, 27 de abril de 2021

AMOR E ÓDIO " o ódio é o amor que adoeceu, porque a mesma energia que nós usávamos para construir e que agora utilizamos para destruir"

 FRAGMENTOS DO TEXTO

[...]Afirmam os seres que guiam a Humanidade, que o ódio é o amor que enlouqueceu. Sim, o ódio é o amor que adoeceu, porque a mesma energia que nós usávamos para construir e que agora utilizamos para destruir[...]Uma das faces do ódio, já que ele tem diversificadas faces, é o desprezo.[...]quando desprezamosnos isolamos, nos fechamos, nos entrincheiramos e gradualmente vamos sentindo que as outras pessoas odiadas por nós, desprezadas por nós, continuam vivendo. E, para o indivíduo que odeia, isso é terrível.[...]uma outra faceta do ódio, tanto ou mais terrível quanto o desprezo, é o desejo de vingançaSim, o odiento não se conforma em apenas desprezar. Deseja, em muitos momentos, fazer justiça com as próprias mãos.[...]a melhor forma de evitarmos essa onda de ódio que nos avassala é o amor. O amor que começa pela compreensão, a indulgência.



AMOR E ÓDIO


O pai da psicanálise, Sigmund Freud, estabeleceu que nós carregamos, por dentro d’alma, duas pulsões importantíssimas. Ele chamou de impulso de vida e impulso de morte.


O impulso de vida, que ele chamou de impulso de Eros, é aquele em que trabalhamos tudo que é bom, tudo que é para cima, tudo que é pró-vida, alegria, o trabalho, o entusiasmo, a amizade, a família. Tudo isso que faz a vida crescer, é chamado por Freud, impulso de vida.


Mas ele também chamou de impulso de morte aquelas pulsões em que nós apelamos para o desânimo, para a depressão, para o desalento, para a inimizade, para a calúnia. Tudo aquilo que faz a vida cair, tudo aquilo que faz a vida depreciada.


Daí então, dentro desse impulso de morte, que um de seus discípulos chamou de impulso tanatológico, nós encontramos o ódio.


O ódio é dessas forças terríveis que vão maculando a criatura, que vão destruindo o indivíduo e certamente infelicitando a criatura.


O ódio tem mil efeitos, cada um deles pior que o outro.


Quando pensamos nos efeitos do vago-simpático que o ódio provoca, a acidez, a diarréia, o desânimo; quando imaginamos a hipertensão, quando pensamos na depressão, na inapetência, todos esses elementos são provocados pelo ódio.


É uma força destrutiva por excelência, e quando começa, como uma caudal, ela não se detém. Essa força não pára se o detentor do ódio, aquele que está alimentando o ódio, não cair numa realidade expressivamente positiva de que essa força ou essa energia negativa que ele impulsiona, que ele conduz, não tiver termo.


É preciso então que pensemos que o ódio, antes de destruir a qualquer pessoa, de ser dirigido a qualquer coisa, ele primeiramente tenta e consegue desarticular o seu portador.


Portar o ódio é como carregar lixo na alma. Por isso, vale a pena pensar que essa força descontrolada, descompensada, essa força desnorteada em que o ódio se traduz, serve apenas para nos fazer morrer sempre um pouco mais.


Vale a pena pensar no que é que faz com que esse ódio apareça na nossa vida.


Afirmam os seres que guiam a Humanidade, que o ódio é o amor que enlouqueceu. Sim, o ódio é o amor que adoeceu, porque a mesma energia que nós usávamos para construir e que agora utilizamos para destruir. A mesma criatura sobre quem dirigíamos o olhar de ternura, agora dirigimos um olhar furioso, um espectro furibundo que parte de nossa intimidade na direção do opositor.


Vale a pena pensar que não tem sentido, depois de dois milênios da visita de Jesus a Terra e que nos propôs amar os próprios inimigos, orar por aqueles que nos perseguem e caluniam, não há sentido alimentar a força fragmentária do ódio que só faz mal a nós.


Por momento, poderemos prejudicar a alguém, causar infelicidade a alguém, entristecer alguém, através da calúnia, da maledicência ou de qualquer outra providência nefasta.


Mas, fundamentalmente, no fundo do vaso de nossa alma, ficam as borras criadas pelo ódio.

 

* * *


O ódio em si mesmo provoca apenas sofrimento. Toda pessoa que odeia é uma pessoa que sofre.

Impossível se imaginar que alguém capaz de odiar possa ser feliz.

É claro que as pessoas interpretam, encenam e muitas vezes não sabem que os problemas que passam a viver em suas vidas, estão atrelados a essa carga de ódio que desferem contra terceiros.


É muito comum que os indivíduos tenham ódio em função de variadas circunstâncias.


São muitos os fenômenos do cotidiano que incitam o indivíduo a sentir ódio, a sentir essa expressão negativa do caráter, que é eminentemente destrutiva.


Uma das faces do ódio, já que ele tem diversificadas faces, é o desprezo.


Quando sentimos desprezo por alguém ou por alguma coisa, a alma age como se esse alguém ou se essa coisa não existissem.


Como o odiento imagina que essa criatura seja-lhe inferior, não merece o seu olhar, não merece a sua atenção, não merece que ela lhe dirija a palavra Então, vai cortando, vai bloqueando todas as ações de contato, todos os movimentos de acesso. E isso vai caracterizando o desprezo. Deixar de prezar alguma coisa, deixar de considerar alguma coisa.


E quando nós desprezamos alguém, em realidade, estamos muito infelizes. Porque tudo quanto gostaríamos, lá no fundo do ser, era a possibilidade de ser amigo de todo mundo, de receber o aplauso de todo mundo, de ser gostado pelas pessoas, de ter acesso fácil em todo lugar, de onde chegarmos as pessoas nos tratarem com alegria, com entusiasmo, com amizade.


Mas quando desprezamos, nos isolamos, nos fechamos, nos entrincheiramos e gradualmente vamos sentindo que as outras pessoas odiadas por nós, desprezadas por nós, continuam vivendo. E, para o indivíduo que odeia, isso é terrível.


Toda criatura que odeia gostaria que o objeto do seu ódio fosse infeliz, se tornasse infeliz. Que pudesse uma hora dele precisar, e ele poder descarregar toda a carga do seu desprezo.


Mas, felizmente, isso não ocorre. As pessoas odiadas continuam vivendo suas vidas, porque elas só têm responsabilidades para com Deus.


Daí então, o desprezo desqualifica o odiento, atormenta-o cada vez mais e aumenta a sua infelicidade. E o odiento sofre.


Mas, uma outra faceta do ódio, tanto ou mais terrível quanto o desprezo, é o desejo de vingança. Sim, o odiento não se conforma em apenas desprezar. Deseja, em muitos momentos, fazer justiça com as próprias mãos.


Fulano me fez isso, há de pagar!

Se existe um Deus no céu, Fulano há de pagar o que me fez!

Então nós misturamos o nosso ódio com a ideia de Deus. Como se Deus estivesse ao lado de nosso desequilíbrio. Como se Deus estivesse aplaudindo nosso desregramento moral e por isto nós dizemos:


Eu não me vingo, mas Deus me vingará!

Quer dizer, se nós não nos vingamos, é porque já entendemos que isso não se faz, mas Deus, Ele que é o Autor do Universo, a Inteligência Suprema da vida, Ele se vingará em nosso nome.


Vejamos que isso não passa de uma brutal infantilidade. Nós somos ainda criaturas muito infantis em termos espirituais e imaginamos que o nosso impulso de vindita, de vingança, vai nos fazer mais felizes.


A vingança chega a termos inimagináveis. Desde a calúnia movida pela maledicência, em que nós jogamos pessoas contra outras pessoas, destilamos o veneno contra os outros, até o homicídio, até o suicídio.


Sim, Freud estabelece que todas as pessoas que se matam, elas são capazes de matar.


Muita gente se mata na impossibilidade de matar o objeto do seu ódio. E se mata para culpar o outro, para culpar a sociedade.


Alguns têm o desplante de deixar cartas, bilhetes, incriminando terceiras criaturas, por conta do seu suicídio.


Vemos que na hora final, quando ela se desbraga e sai do corpo, mesmo assim, o impulso negativo da alma infantilizada, do Espírito infeliz, ainda se mostra forte.


Desse modo, a melhor forma de evitarmos essa onda de ódio que nos avassala é o amor. O amor que começa pela compreensão, a indulgência.


Por que as pessoas erraram contra mim?


Porventura, não terei eu dado motivos independentemente do que aquele aborrecimento nos causou?


Será válido pensar nas razões que levaram alguém a falar contra mim, a falar de mim.


É importantíssimo deixar que o amor tome conta de nós, que o amor luarize nossas consciências, e como o ódio é o amor que enlouqueceu, vale a pena vacinar sempre o amor com esse remédio do trabalho, do relacionamento feliz, para que ele nunca adoeça, com esse remédio da confiança, do trabalho conjunto, da autodoação para que o amor nunca adoeça, sempre admitindo que as pessoas têm direito de se equivocar como nós.


E, por causa disso, ao invés de ódio, vale a pena o amor, até porque, segundo o Evangelista, Deus é amor.

RAUL TEIXEIRA


Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 108, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 22 de junho de 2008.

Em 11.5.2020


FONTE: http://www.feparana.com.br/topico/?topico=2154

domingo, 21 de março de 2021

OS OPOSTOS : " O Sol emite raios para todas as criaturas e não distribui sua luminosidade segundo o merecimento de cada um. Assim também é o amor do Mestre: não diferencia bons e maus, certos e errados, poderosos e simples; não separa, nem divide, simplesmente ama a todos, pelo próprio prazer de amar.

 



OS OPOSTOS

"...Como continuassem a interrogá-lo, ele se ergueu e lhes disse: Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra. Depois, abaixando-se de novo, continuou a escrever sobre a terra..." (Cap. X, ítem 12)


"Aquele dentre vós que estiver sem pecado, lhe atire a primeira pedra", assim enunciou Jesus Cristo diante da mulher surpreendida em adultério. Ele conhecia a intimidade das criaturas humanas e as via como um livro completamente aberto. Sabia de suas carências e necessidades condizentes com seu grau evolutivo, bem como conhecia todo o mecanismo proveniente de sua "sombra", quer dizer, a soma de tudo aquilo que elas não desejam ter e ver em si mesmas.


O termo "sombra" foi desenvolvido por Carl Gustav Jung, eminente psiquiatra e psicólogo suiço, para conceituar o somatório dos lados rejeitados da realidade humana, que permanecem inconscientes por não querermos vê-los.


Jesus sabia que todos ali presentes fariam daquela mulher um "bode expiatório" para aliviar suas consequências de culpa, projetando sobre ela seus sentimentos e emoções não aceitos e apedrejando-a sumariamente, conforme as leis da época.


Em consequência, todos ali reunidos sentiriam momentaneamente um alívio ao executá-la, ou mesmo, "livres dos pecados", pois nela seria projetados os chamados defeitos repugnantes e desprezíveis, como se dissessem para si mesmos: "não temos nada com isso".


O Mestre, porém, induziu-os a fazer uma "instrospecção", impulsionando-os para uma viagem interior, indagando: "quem de vós não tem pecados?"


Somos, a todo instante, tentados a encobrir nossas vulnerabilidades ou "pontos fracos" por não aceitarmos ser natural que parte de nós é segura e generosa, enquanto outra duvida e é egoísta. Faz-se necessário admitirmos nossos "pecados" porque somente dessa forma iremos confrontar-nos com nossos "sótãos fechados" e promover nosso amadurecimento espiritual.


Admitindo nossos lados positivo e negativo, em outras palavras, nossa "polaridade", passaremos a observar nossa ambivalência, rejeitando assim as barreiras que nos impedem de ser autênticos. Urge que reconheçamos nossa condição humana de criaturas em processo de desenvolvimento evolucional.


Ao assumirmos, porém, nossos "opostos" como elementos naturais da estrutura humana (egoísmo-desinteresse, dominação - submissão, adulação - aversão, ciúme - indiferença, malícia- ingenuidade, vaidade - desmanzelo, apego - apatia), aprendemos a não nos comportar como o pêndulo - ora num extremo, ora no outro.


A balança volta sempre ao ponto de equilíbrio, e é justamente essa a nossa meta de aprendizagem na Terra. Nem avareza, nem esbanjamento; nem preguiça, nem superentusiasmo; nem tanto lá, nem tanto cá; tudo com "equanimidade", isto é, dando igual importância aos lados, a fim de acharmos o meio-termo.


As polaridades unidas formam a totalidade, ou a unidade, mesmo porque nossa visão depende de ambas as partes unidas, para que nossas observações e estruturas não sejam claudicantes. Em suma, unir as polaridades em nossa consciência nos torna "unos" ou seres totais.


Com essa determinação, vamos adquirir um bom nível de permeabilidade e conseguir transcender os limites e interligar nossos opostos, atingindo um estado de consciência elevada, o que permitirá que nosso consciente e nosso inconsciente se fundam numa "unidade total".


As pesquisas da atualidade analisaram as metades do cérebro e chegaram à conclusão de que cada uma tem funções, capacidades e suas respectivas áreas, onde atuam as diferentes responsabilidades da psique humana.


O lado esquerdo cuida do corpo, da linguagem, da leitura, da escrita, dos cálculos, do tempo, do pensamento digital e linear e do lado direito do corpo, entre outras coisas; enquanto que o direito se prende às percepções da forma, da sensação do espaço, da intuição,do simbolismo, da atemporidade, da música, do olfato e do lado esquerdo do corpo, entre outras funções.


Usar a totalidade cerebral é ter uma visão real da vida que nos cerca portanto, com apenas metade do cérebro, teremos a bipartição da verdade, ou melhor, a não-conexão dos opostos.


O Mestre afirmou-nos: "Eu e meu Pai somos um", querendo dizer que Ele era pleno, pois enxergava tudo no Universo como um "todo", através de sua consciência iluminada e integralizada.


Jesus não agia dividido em "pares opostos". Não pensavea e não sentia como homem ou mulher, mas como espírito imortal; não visualizava o interior e exterior, antes observava o Universo e a nós por inteiro, "dentro e fora", argumentando que o "Reino de Deus" e "as muitas moradas da Casa do Pai" estavam no exterior e, ao mesmo tempo, no interior.


Por isso, não há nada a corrigir ou a consertar em nós, a não ser melhorar a nossa própria forma de ver as coisas, aprendendo a conhecer amplamente as interligações dos opostos, a fim de atingirmos o equilíbrio perfeito.


"Pecado, em síntese, são as extremidades de nossa polaridade existencial. Daí decorre a afirmação de Jesus de Nazaré aos homens que somente olhavam um dos lados do fato naquele julgamento e que, ao mesmo tempo, escondiam sentimentos e emoções que gostariam que não existissem.


Em suma, a ferramenta vital para interligar os opostos chama-se amor, porque amar é buscar a unificação das pessoas e das coisas, pois ele quer fundir e não dividir.


O amor tem que ser absolutamente incondicional porque, enquanto for seletivo e preferencial, não será amor real. Quem ama realmente constitui um "nós", isto é, "une", sem anular o próprio "eu".


O Sol emite raios para todas as criaturas e não distribui sua luminosidade segundo o merecimento de cada um. Assim também é o amor do Mestre: não diferencia bons e maus, certos e errados, poderosos e simples; não separa, nem divide, simplesmente ama a todos, pelo próprio prazer de amar.


Hammed

domingo, 7 de março de 2021

AS MÁS INCLINAÇÕES: ""Insiste na sua eliminação, ampliando o campo das tuas conquistas. Cada vitória, por menor que seja, sobre os impulsos primários e prejudiciais, constituem-te conquista valiosa no rumo da Espiritualidade.""

                                



          AS MÁS INCLINAÇÕES


Essa tendência perturbadora para fazer-se o que se não deve em detrimento daquilo que é correto e ideal, remanesce na criatura humana como efeito das experiências primevas do processo da evolução.


As reações intempestivas que irrompem com violência no ser, quando contrariado, gerando desequilíbrio e deixando rastros de desespero, têm origem no instinto de conservação que ainda predomina em a natureza humana.


A propensão para o mal que não se deseja praticar e, muitas vezes, sobrepuja no comportamento, sendo responsável por lamentáveis conseqüências que poderiam ser evitadas, procede dos impulsos automáticos que permanecem, não sendo racionalizados pelo Espírito.


Essa natureza animal, que prevalece durante o ministério da reencarnação, é característica das necessidades do desenvolvimento das potencial idades espirituais que se experiencia, ao largo da evolução, trabalhando os mecanismos que as libertam, assim facultando-lhes o desabrochar.


Desse modo, o crescimento moral se realiza mediante etapas sucessivas que proporcionam a superação dos diversos fenômenos existenciais necessários, que se demoram por alguns períodos, logo depois ultrapassados.


As seqüelas, deles decorrentes, prosseguem por largo tempo na condição de atavismos que se repetem automaticamente, produzindo mal-estar ou conduzindo a aflições.


Avançando, da inconsciência em que permanece por indeterminado e longo período de tempo, para a consciência que lhe abre as portas da percepção para o divino que nele existe, o Espírito se agrilhoa demoradamente, sendo-lhe necessário investir um grande esforço, a fim de romper as algemas vigorosas.


O embrião vegetal rompe o perisperma que o guarda em germe, vencendo as pesadas camadas do solo em que se encontra sepultada a semente, atraído pelo tropismo da luz. Ascende no rumo da fonte de energia e engrandece-se, porém necessita do apoio da terra em que se fixa a planta, desenvolvendo todas as potencialidades que lhe permanecem adormecidas.


Não seja de estranhar, que ainda permaneçam no Espírito em crescimento para Deus, as fixações ancestrais decorrentes das experiências por que passou, retendo-o ou dificultando-lhe a ascese. Mediante esforço bem direcionado e constante, são vencidos os impedimentos, e os atributos de sublimação rompem o cárcere em que se demoram retidos, facultando o alcance da plenitude.


Em todos aqueles que aspiram à auto-realização, ultrapassando os limites nos quais se aprisionam, a força da retaguarda compete com a atração da Grande Luz.


Por essa razão, afirmava o Apóstolo das Gentes, conforme escreveu em Romanos: 7-15: Pois o que faço não o entendo, porque o que quero, isso não pratico, mas o que aborreço, isso eu faço.


A origem do mal se encontra no uso irregular do livre-arbítrio que, nos primórdios da evolução, ainda sem o direcionamento da consciência, elege experiências perturbadoras, aprendendo, desse modo, a selecionar aquelas que proporcionam paz e alegria de viver, ao invés daqueloutras que facultam as sensações agradáveis, mas de efeito perturbador.


À medida que o Espírito se liberta dos impulsos iniciais dos instintos e desenvolve a inteligência, consegue entender quais os valores que o enriquecem, selecionando-os e elegendo-os, de forma que o mal nele existente se vai transformando em bem real que o induzirá sempre a maior crescimento no rumo da plenitude a que aspira.


Desse modo, o mal é relativo e faz parte dos mecanismos existenciais, sendo, portanto, uma experiência iluminativa, a princípio grotesca e agressiva, transformando-se em reminiscência que sempre adverte no momento da decisão de qual o caminho a percorrer.


Em razão disso, costuma-se dizer que, muitas vezes, um mal transforma-se em um grande bem, caso o indivíduo possa dele retirar a melhor parte, aquela que lhe proporcione satisfação e sabedoria.


A questão fundamental, na ocorrência do mal, diz respeito à maneira como seja enfrentado, procurando-se evitar-lhe a fixação no comportamento que se transforma em hábito infeliz.


O conceito do bem, por sua vez, deve ser examinado fora do âmbito do egoísmo de cada pessoa, porquanto aquilo que, muitas vezes, é considerado como bom e próprio, porque favorece o interesse pessoal, em realidade decorre do mal que proporciona a outrem, transformando-se, mais cedo ou tarde, em dano, aflição, realmente um grande prejuízo.


Assim, as más inclinações são inerentes aos seres que ainda transitam da animalidade para a sua humanidade, prelúdio da sua ascese à espiritualização que os aguarda.


Na esteira do progresso, a sabedoria induz à transformação das tendências prejudiciais em aquisições benfazejas, em favor das quais devem ser investidos todos os recursos da inteligência e da razão, desde que a ascensão é inevitável, atraente e convidativa, comprazendo e felicitando.


Não lamentes, portanto, a presença das más inclinações, que lentamente te impulsionam no rumo da aquisição dos sentimentos formosos.


Quem pretende o acume da montanha não pode desdenhar as dificuldades da base em que a mesma repousa.


Quem se compraz na escuridão, somente valoriza a claridade quando por ela beneficiado.


Caminhando em pleno nevoeiro, o Sol prossegue brilhando, embora o viandante, mesmo beneficiado pelos seus raios invisíveis, não o veja. À medida que a neblina se dissipa, mais favoráveis se apresentam os recursos que o indivíduo alcança, olvidando-se, logo depois, da bruma que o confundia na região ora vencida.


O mesmo fenômeno acontece com as más inclinações. Não te detenhas, pois, porque ainda assinalas-lhes a presença no teu mundo interior e no teu comportamento externo.


Insiste na sua eliminação, ampliando o campo das tuas conquistas. Cada vitória, por menor que seja, sobre os impulsos primários e prejudiciais, constituem-te conquista valiosa no rumo da Espiritualidade.


Da mesma forma como não te deves afligir por vivenciar esses impulsos ancestrais, não te permitas acomodar ante as suas manifestações.


Medita e considera a excelente oportunidade de que dispões para o crescimento íntimo por meio do bem, laborando afanosamente pela tua transformação moral para melhor, sempre e incessantemente.


A escada ascensional não possui último degrau, sempre havendo patamares mais altos que aguardam pelos argonautas espirituais.


Jesus desceu até o ser humano na pequenez deste, a fim de que a Sua grandeza servisse-lhe de estímulo para crescer até Ele.


Não te detenhas!


Joanna de Ângelis

sexta-feira, 5 de março de 2021

QUEM SÃO OS REGENERADOS: "" REGENERADOS SÃO OS REABILITADOS À LUZ DAS VERDADES ETERNAS . ADOTARAM JESUS COMO SÁBIO DOS SÁBIOS E, POR SEGUIREM SEUS PASSOS, FAZEM SEMPRE O SEU MELHOR.""

 



QUEM SÃO OS REGENERADOS

"Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes; a alma que se arrepende neles encontra a calma e o repouso, acabando de se depurar. Sem dúvida, nesses mundos, o homem está ainda sujeito às leis que regem a matéria.." (Cap. III, ítem 17)


Regenerados são todos aqueles que aprenderam a compartilhar deste mundo, contribuindo sempre para a sua manutenção e continuação e que ao mesmo tempo, por perceberem que recebem à medida que doam, sustentam com êxito esse fenômeno de "TROCAS INCESSANTES". São os homens que descobriram que todos estamos ligados por inúmeras formas de vida, desde o micro ao macrocosmo, e que os ciclos da natureza é que vitalizam igualmente plantas, animais e eles próprios.


Portanto, respeitam, cooperam e produzem, não pensando somente em si mesmos, mas na coletividade. Sabem que ao mesmo tempo, sozinhos ou juntos, somos todos viajantes nas estradas da vida universal, em busca de crescimento e perfeição.


Voltarem-se para si mesmos e descortinaram a presença divina em sua intimidade e, em vista disso, agora não buscam somente a exterioridade da vida, mas a abundância da vida íntima, fazendo quase sempre uma jornada cósmica para dentro do seu universo interior, na intimidade da própria alma.


Regenerados são os seres humanos que notaram que não podem modificar o mundo dos outros, mas apenas o seu próprio mundo. Que os indivíduos, lugares e ambientes não podem ser mudados, e que as únicas coisas que podem e devem ser alteradas são suas atitudes pessoais, reações e atos relacionados a esses mesmos indivíduos, lugares e ambientes de sua vida. Conseguiram angariar sabedoria em decorrência das vivências anteriores.


Diferenciam o que lhes cabe fazer e, por conseguinte, o que são deveres dos outros. Só fazem, portanto, autojulgamento, deixando a cada um realizar sua própria avaliação.


Na realidade, trazem certas competências e destrezas alicerçadas no poder de observação, por já possuírem uma considerável "coleta de dados". São consideradas criaturas sábias, por seus constantes insights, isto é, compreensÕes súbitas diante de decisões e resoluções da vida.


São homens que adquiriram a habilidade de resolver suas dificuldades com recursos novos e criativos, usando maneiras inovadoras de solucionar os acontecimentos do cotidiano. Reconhecem que a vida é uma sucessão de ocorrências interdependentes, por possuírem a capacidade de observar as relações existenciais. Sempre lançam mão dos fatos passados e os entrelaçam aos atuais, chegando à profunda compreensão das situações e de seus problemas.


Descortinaram horizontes novos, porque reservaram no dia-a-dia algum tempo para se conhecer melhor, anotando idéias e sensações a fim de esclarecer para si próprios o porquê de sentimentos desconexos, emoções variáveis e ações contraditórias, visto que tal conhecimento os ajudará a viver de forma mais serena e previsível.


Obtiveram transformações íntimas, surpreendentes, pois conseguiam se ver como realmente são. Retiram máscaras, que inicialmente lhes davam um certo conforto e segurança, já que depois, eles mesmos reconheceram que elas os aprisionavam por entre grilhões e opressões.


Aprenderam que não vale a pena representar inúmeros papéis, como se a vida fosse um grande teatro, mas sobretudo assumir sua própria missão na Terra, porque constataram que cada um tem uma quota própria de contribuição perante a Criação, e que não nasce no Planeta nenhuma criatura cuja tarefa não tenha sido predeterminada.


Regenerados são os reabilitados à luz das verdades eternas. Adotaram Jesus como o "Sábio dos Sábios" e, por seguirem Seus passos, fazem sempre o seu melhor.


Reconheceram que o erro nunca será motivo de abatimento e paralisação e sim de estímulo ao aprendizado. Por isso, seguem adiante, pacientes consigo mesmos e com os outros, ganhando cada vez mais autonomia e discernimento ante as leis de amor que regem o Universo.


Hammed

segunda-feira, 1 de março de 2021

ESTADO MENTAL : "...EIS O ANTÍDODO CONTRA O EGOÍSMO: " NÃO FAZER AOS OUTROS O QUE NÃO GOSTARÍAMOS QUE OS OUTROS FIZESSEM..."

 



ESTADO MENTAL


"...O egoísmo é, pois, o objetivo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem; digo coragem porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer os outros..." (Cap. XI, item 11)


Para que atinja a espiritualidade, já afirmavam as antigas religiões do Oriente, seria preciso que o homem se apartasse do "maya", que são as ilusões da existência, do nascimento e da morte.


Para que pudesse conquistar o "nirvana", diziam que seria imperativo extinguir todo o desejo de ser, aniquilando assim o "ego", que é a individualidade exaltada e distraída pelas fantasias do mundo.


Ao mesmo tempo, encontrarmos Jesus Cristo instruindo-nos que, para alcançarmos o "Reino de Deus", é preciso nos despojarmos do "egoísmo", o terrível adversário do progresso espiritual.


As Bem-aventuranças do Mestre nada mais são do que vias para se alcançar a iluminação, ou seja, elevar-se através da mansuetude, humildade e simplicidade, abandonando todo sentimento de personalismo.


A moderna psicologia tem toda a atenção voltada para que as pessoas entrem em contato com a realidade e terminem com suas ilusões, que são as causas da distorção de sua visão e percepção de si mesmas em relação às outras.


O "maya" das religiões orientais era tudo que impedia as almas de atingir o estado de "bem-aventurados", também conceituado como "nirvana" ou "reino dos céus", conforme as diferentes denominações e crenças religiosas.


É realmente a ilusão de satisfazermos os próprios interesses em detrimento dos interesses dos outros que caracteriza o estado de egoísmo — um conjunto enorme de ilusões, que nos tira do senso de realidade e de uma compreensão mais acurada de tudo e de todos.


"Não devo ser contrariado", "Preciso controlar os outros", "Sou dono da verdade", "Nunca poderia ter acontecido comigo" são atitudes ilusórias herdadas por nós de crenças despóticas e prepotentes, filhas da egolatria, ou seja, do "culto ao eu".


As ilusões de "tudo para mim" ou de "tudo girar em torno de mim" vêm do interesse individualista, resquício da animalidade por onde transitamos, em priscas eras, em contato com os reinos menores da natureza.


A caça no mundo animal nada mais é do que o uso dos instintos de preservação e conservação. Felinos de grande ou pequeno porte como, por exemplo, o leão e o gato, matam seres indefesos e cordiais, como o antílope e o beija-flor, para alimentar unicamente a si próprios e suas crias.


Não devem, porém, ser considerados como egoístas e cruéis, pois somente colocam em prática os mecanismos atávicos de sua criação, frutos da própria Natureza.


"O egoísmo e o orgulho têm a sua fonte num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porque Deus nada pode fazer de inútil."


Com a simples presença no lar de um segundo filho do casal, é perceptível em quase todas as crianças a necessidade exclusivista de atenção dos pais em torno delas, como centro de tudo. É natural e compreensível o aparecimento do impulso egóico.


O medo de perder suas satisfações, cuidados e compensações psicoemocionais faz com que a criança nessas condições use o "instinto de preservação", a fim de "conservar" o carinho, o afago e o amor, antes somente voltados para ela, e agora divididos com o novo irmão.


O denominado ciúme ou egocentrismo infantil não poderá ser considerado anormal, desde que não tome proporções alarmantes. É uma reação natural diante de situações verdadeiras ou imaginadas, de perda de afeto, podendo existir sutilmente disfarçada ou claramente demonstrada.


Nas criaturas que desenvolvem seus primeiros passos no aperfeiçoamento ético-moral, a tendência egoística é um estado instintivo, próprio do seu grau evolutivo, e não um defeito de caráter incompreensível, nem uma imperfeição inexplicável da índole humana.


"Esse sentimento, encerrado em seus justos limites, é bom em si; é o exagero que o torna mau e pernicioso...". Como o feto necessita, por determinado tempo, do cordão umbilical ou mesmo da placenta para sua manutenção, assim também a humanidade transformará gradativamente esse impulso inato e ancestral, adquirido através dos séculos e séculos, na luta pela sobrevivência nos estágios primitivos da vida.


Essa mesma humanidade absorverá no futuro atitudes mais equilibradas e coerentes com seu patamar evolutivo, aprendendo a usar cada vez melhor seus sentimentos, antes somente instintos.


Dessa forma, entendemos que o egoísmo, esse agrupamento de ilusões de supremacia, existirá por determinado período de tempo nas criaturas, até que elas consigam se conscientizar de que a atitude de "lavar as mãos", de Pôncio Pilatos, isto é, consideração excessiva aos seus interesses pessoais, agindo arbitrariamente, trará sempre desilusões e obstrução na percepção do mundo em que vivemos.


Já o exemplo do Cristo nos transfere a uma ampla realidade de que o amor é a única força capaz de nos trazer lucidez e equilíbrio no relacionamento conosco e com os outros.


Eis o antídoto contra o egoísmo: "Não fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros nos fizessem".


Hammed

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

PRECE PELA INTERNET : "NA ATUALIDADE, GRAÇAS À INFORMÁTICA, SURGE LENTAMENTE , MAS COM VIGOR,UM NOVO GRUPO DE PREGUIÇOSOS MENTAIS QUE PRETENDEM TRANSFERIR PARA OUTROS OS DEVERES QUE LHE SÃO PERTINENTES, ENTRE OS QUAIS, O DA ORAÇÃO."

 




PRECES PELA INTERNET




Quando Jesus recomendou a oração pelo próximo, não o eximiu de orar por si mesmo.


A proposta do Mestre tem um sentido profundo, que pode ser considerado sob vários aspectos. A princípio, porque a vibração daquele que ora, encontrando ressonância vibratória no outro, ajuda-o a ter as forças renovadas. Logo depois, porque esse ato desenvolve e ajuda a manter a fraternidade.


Foi por isso, em favor da verdadeira união fraternal, que mais tarde propôs: Quando dois ou três se reunirem em meu nome eu estarei entre eles, o que não significa estar ausente quando alguém esteja a sós e O busque ...


Em face do utilitarismo e das más interpretações no passado, a acomodação mental e moral de muitos religiosos instituiu o lamentável esquema de rezadores em seu favor, enquanto permaneciam distantes da comunhão com Deus.


Esse método foi utilizado largamente, dando surgimento ao profissionalismo da oração.


Pessoas desocupadas tornaram-se intérpretes dos desejos de pagantes, intercedendo verbalmente a Deus sem qualquer emoção a benefício daqueles que as remuneravam.


Como efeito, a simonia substituiu o sentimento da prece intercessória, quando alguém, tomado de amor e de compaixão, intermedia outrem.


Na atualidade, graças à Informática, surge lentamennte, mas com vigor, um novo grupo de preguiçosos mentais que pretendem transferir para outros os deveres que lhes são pertinentes, entre os quais, o da oração.


Justificam que não dispõem de mérito para ser ouvidos por Deus e não se esforçam por consegui-lo.


Apoiam-se na desculpa sem sentido, na suposição de que ludibriam as leis soberanas da Vida, exculpando-se do dever não cumprido, por se considerarem pecadores ou infelizes, quando deveria ocorrer exatamente o contrário ...


Aplicam largos períodos de tempo solicitando orações para a saúde, para a conquista de trabalho, de amor, rogam pelos familiares encarnados e desencarnados em atentado injustificável de utilização negativa da recomendação do Mestre.


Esquecem-se de que aquele que ora, em sintonizando-se com as Fontes Geradoras de Bênçãos, enriquece-se de energias saudáveis e de paz interior.


Outros escrevem cartas longuíssimas, verdadeiros relatórios dos seus sofrimentos, reais e imaginados, repassados de queixas e de lamúrias para inspirar compaixão, descarregando nos obreiros do Bem suas aflições, verdadeiras ou supostas, desviando-os dos compromissos que abraçam, a fim de ficarem orando em seu benefício, enquanto eles mesmos se divertem na ociosidade ou se comprazem no transtorno depressivo que se permitem, sem a utilização de terapias próprias e libertadoras.


É justo que se ore pelo próximo necessitado, mas é indispensável que se oriente o irmão a orar por si mesmo.


Se ele justifica que não sabe como fazer, deves ennsiná-lo a comungar com Deus, a fim de que avance com o dinamismo do esforço pessoal, sem depender de ninguém.


A estrada da evolução será sempre palmilhada por cada um que se candidata ao processo de crescimento.


Ora, a sós ou em grupo, em favor dos enfermos que necessitam de vibrações salutares e de ondas de ternura durante as provações que experienciam. Simultaneamente, desperta-os para que façam a parte que lhes compete, a fim de poderem sintonizar com as ondas mentais que lhes ofereces, introjetando-as e beneficiando-se.


Não te desvies, porém, dos deveres que abraças para os recitativos demorados e as imprecações a Deus a benefício de outros que elegem a comodidade física e mental, distanciando-se dos labores espirituais de auto-iluminação.


Todos devem ajudar-se mutuamente, orando uns pelos outros, não, porém, sobrecarregando o seu próximo, a pretexto de que ele é mais e melhor ouvido pelo Pai.


O mérito advém do esforço que cada qual consegue aplicar em forma de devotamento ao trabalho sério e elevado, construindo uma sociedade melhor, mais ordeira e equilibrada.


Para esse mister, todos estão convidados, cada um oferecendo o que possui de melhor, mesmo que seja aparentemente de pequena monta.


Se não pode contribuir com uma seara rica de pão, tem possibilidades de oferecer alguns grãos para a ensementação valiosa.


Jesus dignificou uma dracma, modestas redes de pescar, grãos de mostarda, lírios do campo e pássaros dos céus, com eles enriquecendo as Suas inesquecíveis parábolas, demonstrando que tudo é útil e de alta significação, quando se refere à construção do Reino de Deus nos corações humanos.


Desse modo, oferece a tua dádiva.


Deus é amor que se irradia em favor dos bons e dos maus de maneira equânime.


Presente em todo o Universo, é a Vida que dá vida. Não atenderá à súplica de um justo liberando o mau das conseqüências dos seus atos infelizes, porque, desse modo, violaria Suas próprias leis de justiça.


Antes, induz todos os filhos à busca da Sua Realidade, mediante o esforço de autodepuração, ascendendo na escala moral por meio do trabalho e da incessante renovação no Bem.


Ora, portanto, penetrando-te do pensamento divino, a fim de que te possas beneficiar do sublime auxílio .


... E preces pela Internet, convenha-se, não é o melhor e mais eficaz caminho a seguir-se ...


Joanna de Ângelis

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

SENSATEZ E PIEDADE : ""Ser sensato nas suas determinações é aquele indivíduo judicioso, que age com cautela e sabedoria. Sabedoria pressupõe conhecimento das verdades espirituais e, portanto, da importância dos fatos e ocorrências da vida como meios para nos elevar na escalada da evolução espiritual. Assim, a visão desse ângulo, quando somos chamados a agir, é posição que devemos tomar, para sermos coerentes com a lei divina ou natural que a tudo preside.[...]O sentimento, que é manifestação da alma, se amplia na medida em que nos despojamos dos interesses egocêntricos, abandonamos os apegos aos nossos pertences e nos voltamos para o bem-estar dos que estão ao nosso redor. As satisfações que nos preenchem a alma transbordam do nosso íntimo, abrangendo os semelhantes, e apenas se completam quando proporcionamos a eles algum benefício."



         SENSATEZ - PIEDADE







 A- SENSATEZ


            


"... Não tenta dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer sobressair as vantagens dos outros. Não se envaidece jamais com sua sorte, nem com seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

"Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões. "


(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. O Homem "de bem.)


Ser sensato nas suas determinações é aquele indivíduo judicioso, que age com cautela e sabedoria. Sabedoria pressupõe conhecimento das verdades espirituais e, portanto, da importância dos fatos e ocorrências da vida como meios para nos elevar na escalada da evolução espiritual. Assim, a visão desse ângulo, quando somos chamados a agir, é posição que devemos tomar, para sermos coerentes com a lei divina ou natural que a tudo preside.


E até inadmissível agirmos contrariamente a esse posicionamento, quando já estamos a par dos princípios doutrinários espíritas. No entanto, como somos quase sempre envolvidos pelos impulsos emocionais que antecedem nossas ações no proceder, deixamos de analisar com prudência os acontecimentos vividos e não aplicamos a sensatez no que fazemos.


De que modo podemos ser sensatos?


a) Pensando cautelosamente nas consequências que os nossos atos possam causar de prejudicial a outrem;


b) Evitando comentários que possam acarretar dificuldades, separações, intrigas, desentendimentos a quaisquer pessoas;


c) Afastando as oportunidades que nos induzam a cometer erros e falhas;


d) Renunciando aos desejos caprichosos de posse entre as paixões que ainda perduram em nós;


e) Pesando com reserva os próprios pensamentos, idéias ou impressões, antes de articulá-los em palavras, para não veicularmos por hipótese alguma a má informação;


í) Agindo com discrição, sem alaridos, discussões ou críticas, nas decisões que nos dizem respeito, que envolvam criaturas humanas;


g) Controlando com previdência os hábitos e costumes que possam comprometer nossa saúde física ou nosso equilíbrio emocional;


h) Indagando sempre do bom uso que estamos fazendo, com proveito geral, dos bens materiais que nos foram confiados;


i) Utilizando os talentos que judiciosamente identificamos em nós, colocando-os a serviço do bem comum, sem vaidade ou presunção, com circunspecção e modéstia.


Quem já conhece - embora pouco - a destinação espiritual do ser que nos anima o corpo, é naturalmente dirigido a pesar muito bem todos os pensamentos, palavras e atitudes, como decorrência do amadurecimento interior, cujos frutos começamos a cultivar, nos cuidados de tudo que sai de nós: criações ou obras, expressões ou gestos, conversas ou comentários, idéias ou irradiações, que a sensatez pode aprimorar dignificando-nos à condição de filhos de Deus.



B - PIEDADE


"O sentimento que mais acelera o progresso, domando o egoísmo e o orgulho, dispondo a alma à fraternidade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade; essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e arrancar lágrimas de simpatia."


(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII. Que a Mão Esquerda Não Saiba o Que Faz a Direita. Item 17. A Piedade - Michel.)


Esse sentimento que emana dos corações sensíveis em direção aos que estão sofrendo pode refletir em nós com maior ou menor intensidade, variando dos menores lampejos de dó às comoções mais profundas.


O que nos torna mais sensíveis ao sofrimento alheio?


Quais os meios de canalizar mais corretamente esses sentimentos, em benefício daqueles que nos tocam a compaixão?


Podemos cultivar a piedade? Com que finalidade?


Essas talvez sejam algumas indagações que faríamos nessa época de tantas tribulações e de interesses imediatistas. Pensar no problema dos outros já é difícil, que dirá sentir a dor alheia.


"A piedade é a virtude que mais vos aproxima das almas aprimoradas; é a irmã da caridade que vos conduz a Deus".


O sentimento, que é manifestação da alma, se amplia na medida em que nos despojamos dos interesses egocêntricos, abandonamos os apegos aos nossos pertences e nos voltamos para o bem-estar dos que estão ao nosso redor. As satisfações que nos preenchem a alma transbordam do nosso íntimo, abrangendo os semelhantes, e apenas se completam quando proporcionamos a eles algum benefício.


Desponta, então, dentro de nós, a devoção, e a piedade cresce, como precursora que é da caridade, a mais sublime das virtudes. Desse modo devemos, como esforço de aprimoramento, cultivar a piedade, que acelera o nosso progresso espiritual e é indicativa do nosso amor ao próximo.


Como, então, impulsionar a piedade dentro de nós?


a) Estimulando os próprios sentimentos de compaixão para com os males alheios;


b) Dirigindo nossa atenção e nosso olhar para os que convivem conosco, analisando-lhes as preocupações e os receios;


c) Dedicando mais tempo em pensar nas aflições dos que nos cercam em vez de nos absorver nas necessidades próprias;


d) Interessando-nos pelos problemas que atormentam as criaturas sem rumo, oferecendo-lhes apoio e orientação evangélica;


e) Permitindo que o nosso coração se enterneça diante das dores e tribulações de nossos semelhantes;


f) Visitando parentes, amigos e indigentes, hospitalizados ou em reclusão, levando-lhes o bálsamo pelas expressões de carinho,

restaurando-lhes a esperança e a resignação com palavras de conforto;


g) Estendendo nossas mãos, em auxílio fraterno e amparo, aos que nos comovam as fibras do coração;


h) Não sufocando jamais as emoções de pena, para com qualquer pessoa, deixando-as crescer em nós e transformando-as em

resultados benéficos objetivos.


"Ao contato da desventura alheia, a alma sem dúvida experimenta um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas a compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão menos feliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e reconhecimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar a Deus, agradecendo por lhe ter enviado um consolador, uma sustentação."


Ney P. Peres

domingo, 21 de fevereiro de 2021

A ARTE DA ACEITAÇÃO : "Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com "atitudes de negação", que são em verdade molas que abrandam os golpes contra nossa alma.

 

       



           A ARTE DA ACEITAÇÃO


"...O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre..." "...contentar-se com sua posição sem invejar a dos outros, de atenuar a impressão moral dos reveses e das decepções que experimenta; ele haure nisso uma calma e uma resignação..." (Cap. V, item 13)


Aceitar nossa realidade tal qual é representa um ato benéfico em nossa vida. Aceitação traz paz e lucidez mental, o que nos permite visualizar o ponto principal da partida e realizar satisfatoriamente nossa informação interior.


Só conseguimos modificar aquilo que admitimos e que vemos claramente em nós mesmos, isto é, se nos imaginarmos outras pessoas, vivendo em outro ambiente, não teremos um bom contato com o presente e, consequentemente, não depararemos com a realidade.


A propósito, muito de nós fantasiamos o que poderíamos ser, não convivendo, porém, com nossa pessoa real. Desgastamos dessa forma uma enorme energia, por carregarmos constantemente uma série de máscaras como se fossem utilitários permamentes.


A atitude de aceitação é quase sempre características dos adultos serenos, firmes e equilibrados, à qual se soma o estímulo que possuem de senso de justiça, pois enxergam a vida através do prisma da eternidade.


Esses indivíduos retêm um considerável "coeficiente evolutivo", do qual se deduz que já possuem um potencial de aceitação, porquanto aprenderam a respeitar os mecanismos da vida, acumulando pacificamente as experiências necessárias a seu amadurecimento e desenvolvimento espiritual.


Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com "atitudes de negação", que são em verdade molas que abrandam os golpes contra nossa alma.


São consideradas fenômeno psicológico de "reação natural e instintiva" às dores, conflitos, mudanças, perdas e deserções e que, por algum tempo, nos alivia dos abalos da vida, até que possamos reunir mais forças, para enfrentá-los e aceitá-los verdadeiramente no futuro.


Não negamos por ser turrões ou teimosos, como pensam alguns; não estamos nem mesmo mentindo a nós próprios. Aliás, "negar não é mentir", mas não se permitir "tomar consciência" da realidade.


Talvez esse mecanismo de defesa nos sirva durante algum tempo; depois passa a nos impedir o crescimento e a nos danificar profundamente os anseios de elevação e progresso.


Auto-aceitação é aceitar o que somos e como somos. Não a confundamos como uma "rendição conformada", e que nada mais importa. De fato, acontece que, ao aceitar-nos, inicia-se o fim da nossa rivalidade com nós mesmos. A partir disso, ficamos do lado da nossa realidade em vez de combatê-la.


Diz o texto: "O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre". Aceitação é bem uma maneira nova de "encarar" as circunstâncias da vida, para que a "força do progresso" encontre espaços e não mais limites na alma até então restrita, pois a "vida terrestre" nada mais é do que o relacionar-se consigo mesmo e com os outros no contexto social em que se vive.


Aceitar-se é ouvir calmamente as sugestões do mundo, prestando atenção nos "donos da verdade" e admitindo o modo de ser dos outros, mas permanecer respeitando a nós mesmos, sendo o que realmente somos e fazendo o que achamos adequado para nós próprios.


Em vista disso, concluímos que aceitação não é adaptar-se a um modo conformista e triste de como tudo vem acontecendo, nem suportar e permitir qualquer tipo de desrespeito ou abuso à nossa pessoa; antes, é ter a habilidade necessária para admitir realidades, avaliar acontecimentos e promover mudanças, solucionando assim os conflitos existenciais. E sempre caminhar com autonomia para poder atingir os objetivos pretendidos.


Hammed

POSTAGENS ATUAIS

AUTOCOMPAIXÃO: "Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas."

  Psicologicamente,  o homem que cultiva a autopiedade desenvolve  tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se ...