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segunda-feira, 26 de abril de 2021

SUBLIME AÇÃO

 

Pessoas há, imensamente generosas, que são tocadas de compaixão ante as necessidades do seu próximo e distendem-lhe mãos amigas de socorro e de amizade.


Repartem o pão, mesmo quando escasso, distribuem calor fraterno aos enregelados no abandono, brindam palavras gentis aos esfaimados de orientação.


Corteses e joviais, possuem verdadeiras fortunas de generosidade, desempenhando o seu papel de cidadania em alto clima de solidariedade.


Enquanto se encontram em posição de relevo, não se ensoberbecem e procuram auxiliar todos aqueles que lhes buscam apoio e necessitam do crescimento espiritual.


Esses homens e mulheres bem-intencionados contribuem em favor da sociedade que dignificam, mediante os bons exemplos de honradez, fomentando o progresso do grupo em que se encontram com os olhos postos no futuro da Humanidade.


Não importa se abraçam ou não qualquer religião.


Agem espontaneamente em decorrência dos sentimentos bons que lhes exornam o caráter.


Modelos sociais que se fizeram, conseguem movimentar-se em círculo de amizades prósperas, homenageados e em destaque onde se apresentam.


Tornam-se estímulos para outros, que ainda não conseguiram superar as barreiras do egoísmo nem os estigmas da indiferença ante a dor que ceifa esperanças a sua volta.


Representam biótipos que um dia se multiplicarão na Terra, tornando-se comuns, enquanto hoje rareiam.


Descobriram a arte de servir por meio da qual avançam intimoratos no rumo da própria felicidade.


Aprendendo a abrir o coração, ampliam os gestos de amor mediante as mãos solidárias ao sofrimento das demais criaturas.


Não cobram recompensa pelo que fazem, não exigem retribuição afetiva. O que praticam, realizam-no, porque lhes faz bem.


A verdadeira caridade, porém, conforme a entendia Jesus, é mais profunda, sendo benevolência para com todos, indulgência para as faltas alheias e perdão das ofensas. (Questão de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, de nº 886. Nota da autora espiritual. )


A verdadeira caridade expressa-se mediante ações morais, relevantes e graves.


Sem dúvida, a doação de alimentos, de roupas e de medicamentos, de moedas que resgatam dívidas, é valioso contributo para aquele que o recebe, evitando-lhe inomináveis padecimentos, situações desesperadoras e mesmo alucinações que terminam em desaires e crimes variados.


Toda e qualquer oferta, portanto, distendida a quem sofre, é portadora de contributo significativo em nome do Bem.


Não constituindo sacrifício para o doador, é bênção para o atendido, auxiliando o coração generoso a habituar-se no exercício da solidariedade e no cumprimento dos deveres fraternos que a vida impõe.


A ação sublime, no entanto, é mais escassa em razão dos sacrifícios de que se reveste.


A benevolência para com todos representa um sentimento de profundo amor pelo seu próximo, de compreensão pelos seus atos, por cuja manifestação identifica as suas necessidades evolutivas e não lhe cria embaraços na marcha.


A indulgência para as faltas alheias define-lhe o estágio moral avançado, após vencidas as etapas de desequilíbrio e sombra, que lhe ensinaram a entender quão difícil é a libertação dos atavismos primários que retêm na retaguarda.


O perdão das ofensas, por sua vez, é o auge das conquistas íntimas que desidentificam o ser das próprias imperfeições, porque se dá conta do quanto necessita ser perdoado, naquilo que se refere às próprias fraquezas e delitos que tem cometido.


Essa ação sublime é, sim, a verdadeira caridade como a entendia Jesus.


As dádivas de natureza material enfocam a caridade nas suas primeiras manifestações, avançando para as expressões morais, quais a benevolência para com todos os corações perversos e carentes, a tolerância ante as suas debilidades morais, olvido do mal e apoio àquele que o praticou.


Não bastará tolerar e até mesmo perdoar o mal que lhe é dirigido, mas sobretudo auxiliar aquele que derrapou na insensatez e gerou a situação infeliz. Ideal seria que esses sentimentos fossem acompanhados do olvido do erro, mas como isso independe do sentimento, estando mais afeto à memória, o treinamento de auxílio ao infrator contribui para o esquecimento da sua ação nefanda.


Treina a ação sublime no teu dia-a-dia, colocando, nas tuas práticas de bondade, as valiosas contribuições morais que te desvelem espiritualmente bem em relação ao teu próximo. Não esqueças todavia, de prosseguir no auxílio mediante as ofertas materiais de algum significado para os que necessitam desse imediato socorro.


Toma Jesus como teu modelo, sê benevolente, usando de indulgência e perdoando com total fraternidade até o momento em que consigas esquecer todo e qualquer mal para pensar somente no bem libertador.


Joanna de Ângelis

sábado, 27 de fevereiro de 2021

O REALISMO E O IDEALISMO : " REALISTA A PESSOA QUE ENCARA A VIDA TAL COMO A VIDA É, IDEALISTA AQUELA QUE IMAGINA A VIDA TAL COMO DEVERIA SER""

 




"O REALISMO E O IDEALISMO"


Chamo realista a pessoa que encara a vida tal como a vida é, e idealista, aquela que imagina a vida tal como deveria ser. O idealista sofre muito uma vez que, não podendo modificar o mundo, sente-se deslocado, vivendo obrigado em um mundo que não aceita. A pessoa realista sabe que o mundo é assim e se desejar viver neste mundo, há que aceitá-lo tal como se manifesta a seus olhos.


A pessoa idealista no mau sentido desta palavra, quando mora em um lugar que ela não gosta, passa os dias renegando o fato de morar ali. É muito longe, o comércio é fraco, a condução é escassa, as pessoas da vizinhança são muito feias ou ignorantes; e no entanto, não se muda dali. A pessoa realista quando sente as dificuldades do lugar onde mora verifica se há possibilidades de mudar o ambiente ou mudar-se dali; se não há, procura encontrar os valores positivos do local (e sempre há) e, descobertos esses aspectos positivos, valoriza esses aspectos e, assim diminui as coisas de que ela não gosta.


Isso vale também para as pessoas. Muita gente se desgosta de um filho, de um marido ou de uma esposa, porque eles não correspondem ao ideal que elas imaginaram e sofrem com isso, passando o tempo a criticar essas pessoas, evidenciando os seus defeitos e parecendo não ver as qualidades delas. As pessoas são o que são e nós não vamos mudá-las. As pessoas são seres humanos, possuem vontade, desejos próprios que às vezes, não coincidem com os nossos. Se você vive assim, busque na pessoa que lhe causa aborrecimento, alguma coisa que ela possua de positivo e trabalhe esse aspecto. Certa vez eu disse isto a uma turma na Universidade e uma aluna virou-se para mim e me disse: "É ruim hein! Eu conheço pessoas que não têm nada de agradável ou de elogiável".


Lembrei-me então de uma história, lida ou ouvida, em algum lugar de que já não me lembro mais. A história é mais ou menos assim: Um mestre, iniciado, caminhava com seus discípulos por uma estrada que desembocava em uma aldeia. De repente, o grupo viu, quase no meio de uma estrada, o cadáver apodrecido de um cachorro. O sol batia sobre a carne que se decompunha e o odor era insuportável. Um dos discípulos muito indignado comentou: "Isso é um absurdo! Nunca vi coisa igual. Uma carniça exposta, empestando tudo com este fedor insuportável. Imagino como deve estar o nosso mestre cujas narinas, muito sensíveis, estão sendo agredidas por esse odor que causa náuseas".


Todos concordaram com esta observação.


O mestre, porém, aproximando-se mais do animal morto, depois de um breve exame disse: "Mas que belos dentes ele tinha". Se o mestre encontrou na carniça algo interessante, porque também não podemos fazer o mesmo com as pessoas? Talvez nos falte olhos de ver, como dizia Jesus.


Lembro-me de um fato acontecido comigo, há muitos anos em Nova Iguaçu. Eu estava começando no Espiritismo e fui convidado para participar de uma caravana que, costumeiramente, visitava os presos na cadeia local. O líder do grupo me pediu que, ao chegar lá, falasse algo para os presos. Eu aceitei a incumbência.


Ao chegarmos, o carcereiro nos advertiu que fizéssemos nosso trabalho mas evitássemos nos aproximar demasiadamente dos presos que estivessem em celas, principalmente de um que estava em uma cela separada. Depois que ouvimos essa recomendação, iniciou-se o atendimennto que, ao final, seria concluído com a fala. Tudo foi feito conforme o previsto. Ao final de minha fala, que foi feita sob um sol inclemente de verão, ouvi uma voz que me chamava: "Professor!. .. Professor!. .. Professor!" Voltei-me e vi que a voz vinha do preso eu estava na cela separada. Tive um breve momento de hesitação, mas fui até bem perto da cela. Era um negro alto e forte, vestido com uma bermuda cinza.


- O que deseja? Perguntei.


- O negócio é o seguinte. Eu estava vendo o senhor daqui falando nesse sol todo, suando muito. Aí eu achei que o senhor poderia estar com sede e lhe botei um pouco de água aqui na minha canequinha. O senhor bebe? Tá limpinhal


- Bebo sim. Respondi. Muito obrigado!


O que mais me impressionou foi o fato de que os religiosos que estavam comigo não notarem o meu desconforto. Foi exatamente a "pior pessoa dali" que se apiedou de mim. Que belos dentes ele tinha repito, lembrando-me do caso do mestre e do cachorro morto. Penso que nós deveríamos no trato com as pessoas difíceis, verificar se, naquela pessoa aparentemente tão ruim, não existe algo de bom.


José C. Leal

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

PRECE PELA INTERNET : "NA ATUALIDADE, GRAÇAS À INFORMÁTICA, SURGE LENTAMENTE , MAS COM VIGOR,UM NOVO GRUPO DE PREGUIÇOSOS MENTAIS QUE PRETENDEM TRANSFERIR PARA OUTROS OS DEVERES QUE LHE SÃO PERTINENTES, ENTRE OS QUAIS, O DA ORAÇÃO."

 




PRECES PELA INTERNET




Quando Jesus recomendou a oração pelo próximo, não o eximiu de orar por si mesmo.


A proposta do Mestre tem um sentido profundo, que pode ser considerado sob vários aspectos. A princípio, porque a vibração daquele que ora, encontrando ressonância vibratória no outro, ajuda-o a ter as forças renovadas. Logo depois, porque esse ato desenvolve e ajuda a manter a fraternidade.


Foi por isso, em favor da verdadeira união fraternal, que mais tarde propôs: Quando dois ou três se reunirem em meu nome eu estarei entre eles, o que não significa estar ausente quando alguém esteja a sós e O busque ...


Em face do utilitarismo e das más interpretações no passado, a acomodação mental e moral de muitos religiosos instituiu o lamentável esquema de rezadores em seu favor, enquanto permaneciam distantes da comunhão com Deus.


Esse método foi utilizado largamente, dando surgimento ao profissionalismo da oração.


Pessoas desocupadas tornaram-se intérpretes dos desejos de pagantes, intercedendo verbalmente a Deus sem qualquer emoção a benefício daqueles que as remuneravam.


Como efeito, a simonia substituiu o sentimento da prece intercessória, quando alguém, tomado de amor e de compaixão, intermedia outrem.


Na atualidade, graças à Informática, surge lentamennte, mas com vigor, um novo grupo de preguiçosos mentais que pretendem transferir para outros os deveres que lhes são pertinentes, entre os quais, o da oração.


Justificam que não dispõem de mérito para ser ouvidos por Deus e não se esforçam por consegui-lo.


Apoiam-se na desculpa sem sentido, na suposição de que ludibriam as leis soberanas da Vida, exculpando-se do dever não cumprido, por se considerarem pecadores ou infelizes, quando deveria ocorrer exatamente o contrário ...


Aplicam largos períodos de tempo solicitando orações para a saúde, para a conquista de trabalho, de amor, rogam pelos familiares encarnados e desencarnados em atentado injustificável de utilização negativa da recomendação do Mestre.


Esquecem-se de que aquele que ora, em sintonizando-se com as Fontes Geradoras de Bênçãos, enriquece-se de energias saudáveis e de paz interior.


Outros escrevem cartas longuíssimas, verdadeiros relatórios dos seus sofrimentos, reais e imaginados, repassados de queixas e de lamúrias para inspirar compaixão, descarregando nos obreiros do Bem suas aflições, verdadeiras ou supostas, desviando-os dos compromissos que abraçam, a fim de ficarem orando em seu benefício, enquanto eles mesmos se divertem na ociosidade ou se comprazem no transtorno depressivo que se permitem, sem a utilização de terapias próprias e libertadoras.


É justo que se ore pelo próximo necessitado, mas é indispensável que se oriente o irmão a orar por si mesmo.


Se ele justifica que não sabe como fazer, deves ennsiná-lo a comungar com Deus, a fim de que avance com o dinamismo do esforço pessoal, sem depender de ninguém.


A estrada da evolução será sempre palmilhada por cada um que se candidata ao processo de crescimento.


Ora, a sós ou em grupo, em favor dos enfermos que necessitam de vibrações salutares e de ondas de ternura durante as provações que experienciam. Simultaneamente, desperta-os para que façam a parte que lhes compete, a fim de poderem sintonizar com as ondas mentais que lhes ofereces, introjetando-as e beneficiando-se.


Não te desvies, porém, dos deveres que abraças para os recitativos demorados e as imprecações a Deus a benefício de outros que elegem a comodidade física e mental, distanciando-se dos labores espirituais de auto-iluminação.


Todos devem ajudar-se mutuamente, orando uns pelos outros, não, porém, sobrecarregando o seu próximo, a pretexto de que ele é mais e melhor ouvido pelo Pai.


O mérito advém do esforço que cada qual consegue aplicar em forma de devotamento ao trabalho sério e elevado, construindo uma sociedade melhor, mais ordeira e equilibrada.


Para esse mister, todos estão convidados, cada um oferecendo o que possui de melhor, mesmo que seja aparentemente de pequena monta.


Se não pode contribuir com uma seara rica de pão, tem possibilidades de oferecer alguns grãos para a ensementação valiosa.


Jesus dignificou uma dracma, modestas redes de pescar, grãos de mostarda, lírios do campo e pássaros dos céus, com eles enriquecendo as Suas inesquecíveis parábolas, demonstrando que tudo é útil e de alta significação, quando se refere à construção do Reino de Deus nos corações humanos.


Desse modo, oferece a tua dádiva.


Deus é amor que se irradia em favor dos bons e dos maus de maneira equânime.


Presente em todo o Universo, é a Vida que dá vida. Não atenderá à súplica de um justo liberando o mau das conseqüências dos seus atos infelizes, porque, desse modo, violaria Suas próprias leis de justiça.


Antes, induz todos os filhos à busca da Sua Realidade, mediante o esforço de autodepuração, ascendendo na escala moral por meio do trabalho e da incessante renovação no Bem.


Ora, portanto, penetrando-te do pensamento divino, a fim de que te possas beneficiar do sublime auxílio .


... E preces pela Internet, convenha-se, não é o melhor e mais eficaz caminho a seguir-se ...


Joanna de Ângelis

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

SENSATEZ E PIEDADE : ""Ser sensato nas suas determinações é aquele indivíduo judicioso, que age com cautela e sabedoria. Sabedoria pressupõe conhecimento das verdades espirituais e, portanto, da importância dos fatos e ocorrências da vida como meios para nos elevar na escalada da evolução espiritual. Assim, a visão desse ângulo, quando somos chamados a agir, é posição que devemos tomar, para sermos coerentes com a lei divina ou natural que a tudo preside.[...]O sentimento, que é manifestação da alma, se amplia na medida em que nos despojamos dos interesses egocêntricos, abandonamos os apegos aos nossos pertences e nos voltamos para o bem-estar dos que estão ao nosso redor. As satisfações que nos preenchem a alma transbordam do nosso íntimo, abrangendo os semelhantes, e apenas se completam quando proporcionamos a eles algum benefício."



         SENSATEZ - PIEDADE







 A- SENSATEZ


            


"... Não tenta dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer sobressair as vantagens dos outros. Não se envaidece jamais com sua sorte, nem com seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

"Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões. "


(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. O Homem "de bem.)


Ser sensato nas suas determinações é aquele indivíduo judicioso, que age com cautela e sabedoria. Sabedoria pressupõe conhecimento das verdades espirituais e, portanto, da importância dos fatos e ocorrências da vida como meios para nos elevar na escalada da evolução espiritual. Assim, a visão desse ângulo, quando somos chamados a agir, é posição que devemos tomar, para sermos coerentes com a lei divina ou natural que a tudo preside.


E até inadmissível agirmos contrariamente a esse posicionamento, quando já estamos a par dos princípios doutrinários espíritas. No entanto, como somos quase sempre envolvidos pelos impulsos emocionais que antecedem nossas ações no proceder, deixamos de analisar com prudência os acontecimentos vividos e não aplicamos a sensatez no que fazemos.


De que modo podemos ser sensatos?


a) Pensando cautelosamente nas consequências que os nossos atos possam causar de prejudicial a outrem;


b) Evitando comentários que possam acarretar dificuldades, separações, intrigas, desentendimentos a quaisquer pessoas;


c) Afastando as oportunidades que nos induzam a cometer erros e falhas;


d) Renunciando aos desejos caprichosos de posse entre as paixões que ainda perduram em nós;


e) Pesando com reserva os próprios pensamentos, idéias ou impressões, antes de articulá-los em palavras, para não veicularmos por hipótese alguma a má informação;


í) Agindo com discrição, sem alaridos, discussões ou críticas, nas decisões que nos dizem respeito, que envolvam criaturas humanas;


g) Controlando com previdência os hábitos e costumes que possam comprometer nossa saúde física ou nosso equilíbrio emocional;


h) Indagando sempre do bom uso que estamos fazendo, com proveito geral, dos bens materiais que nos foram confiados;


i) Utilizando os talentos que judiciosamente identificamos em nós, colocando-os a serviço do bem comum, sem vaidade ou presunção, com circunspecção e modéstia.


Quem já conhece - embora pouco - a destinação espiritual do ser que nos anima o corpo, é naturalmente dirigido a pesar muito bem todos os pensamentos, palavras e atitudes, como decorrência do amadurecimento interior, cujos frutos começamos a cultivar, nos cuidados de tudo que sai de nós: criações ou obras, expressões ou gestos, conversas ou comentários, idéias ou irradiações, que a sensatez pode aprimorar dignificando-nos à condição de filhos de Deus.



B - PIEDADE


"O sentimento que mais acelera o progresso, domando o egoísmo e o orgulho, dispondo a alma à fraternidade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade; essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e arrancar lágrimas de simpatia."


(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII. Que a Mão Esquerda Não Saiba o Que Faz a Direita. Item 17. A Piedade - Michel.)


Esse sentimento que emana dos corações sensíveis em direção aos que estão sofrendo pode refletir em nós com maior ou menor intensidade, variando dos menores lampejos de dó às comoções mais profundas.


O que nos torna mais sensíveis ao sofrimento alheio?


Quais os meios de canalizar mais corretamente esses sentimentos, em benefício daqueles que nos tocam a compaixão?


Podemos cultivar a piedade? Com que finalidade?


Essas talvez sejam algumas indagações que faríamos nessa época de tantas tribulações e de interesses imediatistas. Pensar no problema dos outros já é difícil, que dirá sentir a dor alheia.


"A piedade é a virtude que mais vos aproxima das almas aprimoradas; é a irmã da caridade que vos conduz a Deus".


O sentimento, que é manifestação da alma, se amplia na medida em que nos despojamos dos interesses egocêntricos, abandonamos os apegos aos nossos pertences e nos voltamos para o bem-estar dos que estão ao nosso redor. As satisfações que nos preenchem a alma transbordam do nosso íntimo, abrangendo os semelhantes, e apenas se completam quando proporcionamos a eles algum benefício.


Desponta, então, dentro de nós, a devoção, e a piedade cresce, como precursora que é da caridade, a mais sublime das virtudes. Desse modo devemos, como esforço de aprimoramento, cultivar a piedade, que acelera o nosso progresso espiritual e é indicativa do nosso amor ao próximo.


Como, então, impulsionar a piedade dentro de nós?


a) Estimulando os próprios sentimentos de compaixão para com os males alheios;


b) Dirigindo nossa atenção e nosso olhar para os que convivem conosco, analisando-lhes as preocupações e os receios;


c) Dedicando mais tempo em pensar nas aflições dos que nos cercam em vez de nos absorver nas necessidades próprias;


d) Interessando-nos pelos problemas que atormentam as criaturas sem rumo, oferecendo-lhes apoio e orientação evangélica;


e) Permitindo que o nosso coração se enterneça diante das dores e tribulações de nossos semelhantes;


f) Visitando parentes, amigos e indigentes, hospitalizados ou em reclusão, levando-lhes o bálsamo pelas expressões de carinho,

restaurando-lhes a esperança e a resignação com palavras de conforto;


g) Estendendo nossas mãos, em auxílio fraterno e amparo, aos que nos comovam as fibras do coração;


h) Não sufocando jamais as emoções de pena, para com qualquer pessoa, deixando-as crescer em nós e transformando-as em

resultados benéficos objetivos.


"Ao contato da desventura alheia, a alma sem dúvida experimenta um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas a compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão menos feliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e reconhecimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar a Deus, agradecendo por lhe ter enviado um consolador, uma sustentação."


Ney P. Peres

POSTAGENS ATUAIS

AUTOCOMPAIXÃO: "Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas."

  Psicologicamente,  o homem que cultiva a autopiedade desenvolve  tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se ...