sábado, 27 de fevereiro de 2021

O REALISMO E O IDEALISMO : " REALISTA A PESSOA QUE ENCARA A VIDA TAL COMO A VIDA É, IDEALISTA AQUELA QUE IMAGINA A VIDA TAL COMO DEVERIA SER""

 




"O REALISMO E O IDEALISMO"


Chamo realista a pessoa que encara a vida tal como a vida é, e idealista, aquela que imagina a vida tal como deveria ser. O idealista sofre muito uma vez que, não podendo modificar o mundo, sente-se deslocado, vivendo obrigado em um mundo que não aceita. A pessoa realista sabe que o mundo é assim e se desejar viver neste mundo, há que aceitá-lo tal como se manifesta a seus olhos.


A pessoa idealista no mau sentido desta palavra, quando mora em um lugar que ela não gosta, passa os dias renegando o fato de morar ali. É muito longe, o comércio é fraco, a condução é escassa, as pessoas da vizinhança são muito feias ou ignorantes; e no entanto, não se muda dali. A pessoa realista quando sente as dificuldades do lugar onde mora verifica se há possibilidades de mudar o ambiente ou mudar-se dali; se não há, procura encontrar os valores positivos do local (e sempre há) e, descobertos esses aspectos positivos, valoriza esses aspectos e, assim diminui as coisas de que ela não gosta.


Isso vale também para as pessoas. Muita gente se desgosta de um filho, de um marido ou de uma esposa, porque eles não correspondem ao ideal que elas imaginaram e sofrem com isso, passando o tempo a criticar essas pessoas, evidenciando os seus defeitos e parecendo não ver as qualidades delas. As pessoas são o que são e nós não vamos mudá-las. As pessoas são seres humanos, possuem vontade, desejos próprios que às vezes, não coincidem com os nossos. Se você vive assim, busque na pessoa que lhe causa aborrecimento, alguma coisa que ela possua de positivo e trabalhe esse aspecto. Certa vez eu disse isto a uma turma na Universidade e uma aluna virou-se para mim e me disse: "É ruim hein! Eu conheço pessoas que não têm nada de agradável ou de elogiável".


Lembrei-me então de uma história, lida ou ouvida, em algum lugar de que já não me lembro mais. A história é mais ou menos assim: Um mestre, iniciado, caminhava com seus discípulos por uma estrada que desembocava em uma aldeia. De repente, o grupo viu, quase no meio de uma estrada, o cadáver apodrecido de um cachorro. O sol batia sobre a carne que se decompunha e o odor era insuportável. Um dos discípulos muito indignado comentou: "Isso é um absurdo! Nunca vi coisa igual. Uma carniça exposta, empestando tudo com este fedor insuportável. Imagino como deve estar o nosso mestre cujas narinas, muito sensíveis, estão sendo agredidas por esse odor que causa náuseas".


Todos concordaram com esta observação.


O mestre, porém, aproximando-se mais do animal morto, depois de um breve exame disse: "Mas que belos dentes ele tinha". Se o mestre encontrou na carniça algo interessante, porque também não podemos fazer o mesmo com as pessoas? Talvez nos falte olhos de ver, como dizia Jesus.


Lembro-me de um fato acontecido comigo, há muitos anos em Nova Iguaçu. Eu estava começando no Espiritismo e fui convidado para participar de uma caravana que, costumeiramente, visitava os presos na cadeia local. O líder do grupo me pediu que, ao chegar lá, falasse algo para os presos. Eu aceitei a incumbência.


Ao chegarmos, o carcereiro nos advertiu que fizéssemos nosso trabalho mas evitássemos nos aproximar demasiadamente dos presos que estivessem em celas, principalmente de um que estava em uma cela separada. Depois que ouvimos essa recomendação, iniciou-se o atendimennto que, ao final, seria concluído com a fala. Tudo foi feito conforme o previsto. Ao final de minha fala, que foi feita sob um sol inclemente de verão, ouvi uma voz que me chamava: "Professor!. .. Professor!. .. Professor!" Voltei-me e vi que a voz vinha do preso eu estava na cela separada. Tive um breve momento de hesitação, mas fui até bem perto da cela. Era um negro alto e forte, vestido com uma bermuda cinza.


- O que deseja? Perguntei.


- O negócio é o seguinte. Eu estava vendo o senhor daqui falando nesse sol todo, suando muito. Aí eu achei que o senhor poderia estar com sede e lhe botei um pouco de água aqui na minha canequinha. O senhor bebe? Tá limpinhal


- Bebo sim. Respondi. Muito obrigado!


O que mais me impressionou foi o fato de que os religiosos que estavam comigo não notarem o meu desconforto. Foi exatamente a "pior pessoa dali" que se apiedou de mim. Que belos dentes ele tinha repito, lembrando-me do caso do mestre e do cachorro morto. Penso que nós deveríamos no trato com as pessoas difíceis, verificar se, naquela pessoa aparentemente tão ruim, não existe algo de bom.


José C. Leal

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

PRECE PELA INTERNET : "NA ATUALIDADE, GRAÇAS À INFORMÁTICA, SURGE LENTAMENTE , MAS COM VIGOR,UM NOVO GRUPO DE PREGUIÇOSOS MENTAIS QUE PRETENDEM TRANSFERIR PARA OUTROS OS DEVERES QUE LHE SÃO PERTINENTES, ENTRE OS QUAIS, O DA ORAÇÃO."

 




PRECES PELA INTERNET




Quando Jesus recomendou a oração pelo próximo, não o eximiu de orar por si mesmo.


A proposta do Mestre tem um sentido profundo, que pode ser considerado sob vários aspectos. A princípio, porque a vibração daquele que ora, encontrando ressonância vibratória no outro, ajuda-o a ter as forças renovadas. Logo depois, porque esse ato desenvolve e ajuda a manter a fraternidade.


Foi por isso, em favor da verdadeira união fraternal, que mais tarde propôs: Quando dois ou três se reunirem em meu nome eu estarei entre eles, o que não significa estar ausente quando alguém esteja a sós e O busque ...


Em face do utilitarismo e das más interpretações no passado, a acomodação mental e moral de muitos religiosos instituiu o lamentável esquema de rezadores em seu favor, enquanto permaneciam distantes da comunhão com Deus.


Esse método foi utilizado largamente, dando surgimento ao profissionalismo da oração.


Pessoas desocupadas tornaram-se intérpretes dos desejos de pagantes, intercedendo verbalmente a Deus sem qualquer emoção a benefício daqueles que as remuneravam.


Como efeito, a simonia substituiu o sentimento da prece intercessória, quando alguém, tomado de amor e de compaixão, intermedia outrem.


Na atualidade, graças à Informática, surge lentamennte, mas com vigor, um novo grupo de preguiçosos mentais que pretendem transferir para outros os deveres que lhes são pertinentes, entre os quais, o da oração.


Justificam que não dispõem de mérito para ser ouvidos por Deus e não se esforçam por consegui-lo.


Apoiam-se na desculpa sem sentido, na suposição de que ludibriam as leis soberanas da Vida, exculpando-se do dever não cumprido, por se considerarem pecadores ou infelizes, quando deveria ocorrer exatamente o contrário ...


Aplicam largos períodos de tempo solicitando orações para a saúde, para a conquista de trabalho, de amor, rogam pelos familiares encarnados e desencarnados em atentado injustificável de utilização negativa da recomendação do Mestre.


Esquecem-se de que aquele que ora, em sintonizando-se com as Fontes Geradoras de Bênçãos, enriquece-se de energias saudáveis e de paz interior.


Outros escrevem cartas longuíssimas, verdadeiros relatórios dos seus sofrimentos, reais e imaginados, repassados de queixas e de lamúrias para inspirar compaixão, descarregando nos obreiros do Bem suas aflições, verdadeiras ou supostas, desviando-os dos compromissos que abraçam, a fim de ficarem orando em seu benefício, enquanto eles mesmos se divertem na ociosidade ou se comprazem no transtorno depressivo que se permitem, sem a utilização de terapias próprias e libertadoras.


É justo que se ore pelo próximo necessitado, mas é indispensável que se oriente o irmão a orar por si mesmo.


Se ele justifica que não sabe como fazer, deves ennsiná-lo a comungar com Deus, a fim de que avance com o dinamismo do esforço pessoal, sem depender de ninguém.


A estrada da evolução será sempre palmilhada por cada um que se candidata ao processo de crescimento.


Ora, a sós ou em grupo, em favor dos enfermos que necessitam de vibrações salutares e de ondas de ternura durante as provações que experienciam. Simultaneamente, desperta-os para que façam a parte que lhes compete, a fim de poderem sintonizar com as ondas mentais que lhes ofereces, introjetando-as e beneficiando-se.


Não te desvies, porém, dos deveres que abraças para os recitativos demorados e as imprecações a Deus a benefício de outros que elegem a comodidade física e mental, distanciando-se dos labores espirituais de auto-iluminação.


Todos devem ajudar-se mutuamente, orando uns pelos outros, não, porém, sobrecarregando o seu próximo, a pretexto de que ele é mais e melhor ouvido pelo Pai.


O mérito advém do esforço que cada qual consegue aplicar em forma de devotamento ao trabalho sério e elevado, construindo uma sociedade melhor, mais ordeira e equilibrada.


Para esse mister, todos estão convidados, cada um oferecendo o que possui de melhor, mesmo que seja aparentemente de pequena monta.


Se não pode contribuir com uma seara rica de pão, tem possibilidades de oferecer alguns grãos para a ensementação valiosa.


Jesus dignificou uma dracma, modestas redes de pescar, grãos de mostarda, lírios do campo e pássaros dos céus, com eles enriquecendo as Suas inesquecíveis parábolas, demonstrando que tudo é útil e de alta significação, quando se refere à construção do Reino de Deus nos corações humanos.


Desse modo, oferece a tua dádiva.


Deus é amor que se irradia em favor dos bons e dos maus de maneira equânime.


Presente em todo o Universo, é a Vida que dá vida. Não atenderá à súplica de um justo liberando o mau das conseqüências dos seus atos infelizes, porque, desse modo, violaria Suas próprias leis de justiça.


Antes, induz todos os filhos à busca da Sua Realidade, mediante o esforço de autodepuração, ascendendo na escala moral por meio do trabalho e da incessante renovação no Bem.


Ora, portanto, penetrando-te do pensamento divino, a fim de que te possas beneficiar do sublime auxílio .


... E preces pela Internet, convenha-se, não é o melhor e mais eficaz caminho a seguir-se ...


Joanna de Ângelis

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

SENSATEZ E PIEDADE : ""Ser sensato nas suas determinações é aquele indivíduo judicioso, que age com cautela e sabedoria. Sabedoria pressupõe conhecimento das verdades espirituais e, portanto, da importância dos fatos e ocorrências da vida como meios para nos elevar na escalada da evolução espiritual. Assim, a visão desse ângulo, quando somos chamados a agir, é posição que devemos tomar, para sermos coerentes com a lei divina ou natural que a tudo preside.[...]O sentimento, que é manifestação da alma, se amplia na medida em que nos despojamos dos interesses egocêntricos, abandonamos os apegos aos nossos pertences e nos voltamos para o bem-estar dos que estão ao nosso redor. As satisfações que nos preenchem a alma transbordam do nosso íntimo, abrangendo os semelhantes, e apenas se completam quando proporcionamos a eles algum benefício."



         SENSATEZ - PIEDADE







 A- SENSATEZ


            


"... Não tenta dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer sobressair as vantagens dos outros. Não se envaidece jamais com sua sorte, nem com seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

"Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões. "


(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. O Homem "de bem.)


Ser sensato nas suas determinações é aquele indivíduo judicioso, que age com cautela e sabedoria. Sabedoria pressupõe conhecimento das verdades espirituais e, portanto, da importância dos fatos e ocorrências da vida como meios para nos elevar na escalada da evolução espiritual. Assim, a visão desse ângulo, quando somos chamados a agir, é posição que devemos tomar, para sermos coerentes com a lei divina ou natural que a tudo preside.


E até inadmissível agirmos contrariamente a esse posicionamento, quando já estamos a par dos princípios doutrinários espíritas. No entanto, como somos quase sempre envolvidos pelos impulsos emocionais que antecedem nossas ações no proceder, deixamos de analisar com prudência os acontecimentos vividos e não aplicamos a sensatez no que fazemos.


De que modo podemos ser sensatos?


a) Pensando cautelosamente nas consequências que os nossos atos possam causar de prejudicial a outrem;


b) Evitando comentários que possam acarretar dificuldades, separações, intrigas, desentendimentos a quaisquer pessoas;


c) Afastando as oportunidades que nos induzam a cometer erros e falhas;


d) Renunciando aos desejos caprichosos de posse entre as paixões que ainda perduram em nós;


e) Pesando com reserva os próprios pensamentos, idéias ou impressões, antes de articulá-los em palavras, para não veicularmos por hipótese alguma a má informação;


í) Agindo com discrição, sem alaridos, discussões ou críticas, nas decisões que nos dizem respeito, que envolvam criaturas humanas;


g) Controlando com previdência os hábitos e costumes que possam comprometer nossa saúde física ou nosso equilíbrio emocional;


h) Indagando sempre do bom uso que estamos fazendo, com proveito geral, dos bens materiais que nos foram confiados;


i) Utilizando os talentos que judiciosamente identificamos em nós, colocando-os a serviço do bem comum, sem vaidade ou presunção, com circunspecção e modéstia.


Quem já conhece - embora pouco - a destinação espiritual do ser que nos anima o corpo, é naturalmente dirigido a pesar muito bem todos os pensamentos, palavras e atitudes, como decorrência do amadurecimento interior, cujos frutos começamos a cultivar, nos cuidados de tudo que sai de nós: criações ou obras, expressões ou gestos, conversas ou comentários, idéias ou irradiações, que a sensatez pode aprimorar dignificando-nos à condição de filhos de Deus.



B - PIEDADE


"O sentimento que mais acelera o progresso, domando o egoísmo e o orgulho, dispondo a alma à fraternidade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade; essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e arrancar lágrimas de simpatia."


(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII. Que a Mão Esquerda Não Saiba o Que Faz a Direita. Item 17. A Piedade - Michel.)


Esse sentimento que emana dos corações sensíveis em direção aos que estão sofrendo pode refletir em nós com maior ou menor intensidade, variando dos menores lampejos de dó às comoções mais profundas.


O que nos torna mais sensíveis ao sofrimento alheio?


Quais os meios de canalizar mais corretamente esses sentimentos, em benefício daqueles que nos tocam a compaixão?


Podemos cultivar a piedade? Com que finalidade?


Essas talvez sejam algumas indagações que faríamos nessa época de tantas tribulações e de interesses imediatistas. Pensar no problema dos outros já é difícil, que dirá sentir a dor alheia.


"A piedade é a virtude que mais vos aproxima das almas aprimoradas; é a irmã da caridade que vos conduz a Deus".


O sentimento, que é manifestação da alma, se amplia na medida em que nos despojamos dos interesses egocêntricos, abandonamos os apegos aos nossos pertences e nos voltamos para o bem-estar dos que estão ao nosso redor. As satisfações que nos preenchem a alma transbordam do nosso íntimo, abrangendo os semelhantes, e apenas se completam quando proporcionamos a eles algum benefício.


Desponta, então, dentro de nós, a devoção, e a piedade cresce, como precursora que é da caridade, a mais sublime das virtudes. Desse modo devemos, como esforço de aprimoramento, cultivar a piedade, que acelera o nosso progresso espiritual e é indicativa do nosso amor ao próximo.


Como, então, impulsionar a piedade dentro de nós?


a) Estimulando os próprios sentimentos de compaixão para com os males alheios;


b) Dirigindo nossa atenção e nosso olhar para os que convivem conosco, analisando-lhes as preocupações e os receios;


c) Dedicando mais tempo em pensar nas aflições dos que nos cercam em vez de nos absorver nas necessidades próprias;


d) Interessando-nos pelos problemas que atormentam as criaturas sem rumo, oferecendo-lhes apoio e orientação evangélica;


e) Permitindo que o nosso coração se enterneça diante das dores e tribulações de nossos semelhantes;


f) Visitando parentes, amigos e indigentes, hospitalizados ou em reclusão, levando-lhes o bálsamo pelas expressões de carinho,

restaurando-lhes a esperança e a resignação com palavras de conforto;


g) Estendendo nossas mãos, em auxílio fraterno e amparo, aos que nos comovam as fibras do coração;


h) Não sufocando jamais as emoções de pena, para com qualquer pessoa, deixando-as crescer em nós e transformando-as em

resultados benéficos objetivos.


"Ao contato da desventura alheia, a alma sem dúvida experimenta um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas a compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão menos feliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e reconhecimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar a Deus, agradecendo por lhe ter enviado um consolador, uma sustentação."


Ney P. Peres

domingo, 21 de fevereiro de 2021

A ARTE DA ACEITAÇÃO : "Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com "atitudes de negação", que são em verdade molas que abrandam os golpes contra nossa alma.

 

       



           A ARTE DA ACEITAÇÃO


"...O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre..." "...contentar-se com sua posição sem invejar a dos outros, de atenuar a impressão moral dos reveses e das decepções que experimenta; ele haure nisso uma calma e uma resignação..." (Cap. V, item 13)


Aceitar nossa realidade tal qual é representa um ato benéfico em nossa vida. Aceitação traz paz e lucidez mental, o que nos permite visualizar o ponto principal da partida e realizar satisfatoriamente nossa informação interior.


Só conseguimos modificar aquilo que admitimos e que vemos claramente em nós mesmos, isto é, se nos imaginarmos outras pessoas, vivendo em outro ambiente, não teremos um bom contato com o presente e, consequentemente, não depararemos com a realidade.


A propósito, muito de nós fantasiamos o que poderíamos ser, não convivendo, porém, com nossa pessoa real. Desgastamos dessa forma uma enorme energia, por carregarmos constantemente uma série de máscaras como se fossem utilitários permamentes.


A atitude de aceitação é quase sempre características dos adultos serenos, firmes e equilibrados, à qual se soma o estímulo que possuem de senso de justiça, pois enxergam a vida através do prisma da eternidade.


Esses indivíduos retêm um considerável "coeficiente evolutivo", do qual se deduz que já possuem um potencial de aceitação, porquanto aprenderam a respeitar os mecanismos da vida, acumulando pacificamente as experiências necessárias a seu amadurecimento e desenvolvimento espiritual.


Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com "atitudes de negação", que são em verdade molas que abrandam os golpes contra nossa alma.


São consideradas fenômeno psicológico de "reação natural e instintiva" às dores, conflitos, mudanças, perdas e deserções e que, por algum tempo, nos alivia dos abalos da vida, até que possamos reunir mais forças, para enfrentá-los e aceitá-los verdadeiramente no futuro.


Não negamos por ser turrões ou teimosos, como pensam alguns; não estamos nem mesmo mentindo a nós próprios. Aliás, "negar não é mentir", mas não se permitir "tomar consciência" da realidade.


Talvez esse mecanismo de defesa nos sirva durante algum tempo; depois passa a nos impedir o crescimento e a nos danificar profundamente os anseios de elevação e progresso.


Auto-aceitação é aceitar o que somos e como somos. Não a confundamos como uma "rendição conformada", e que nada mais importa. De fato, acontece que, ao aceitar-nos, inicia-se o fim da nossa rivalidade com nós mesmos. A partir disso, ficamos do lado da nossa realidade em vez de combatê-la.


Diz o texto: "O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre". Aceitação é bem uma maneira nova de "encarar" as circunstâncias da vida, para que a "força do progresso" encontre espaços e não mais limites na alma até então restrita, pois a "vida terrestre" nada mais é do que o relacionar-se consigo mesmo e com os outros no contexto social em que se vive.


Aceitar-se é ouvir calmamente as sugestões do mundo, prestando atenção nos "donos da verdade" e admitindo o modo de ser dos outros, mas permanecer respeitando a nós mesmos, sendo o que realmente somos e fazendo o que achamos adequado para nós próprios.


Em vista disso, concluímos que aceitação não é adaptar-se a um modo conformista e triste de como tudo vem acontecendo, nem suportar e permitir qualquer tipo de desrespeito ou abuso à nossa pessoa; antes, é ter a habilidade necessária para admitir realidades, avaliar acontecimentos e promover mudanças, solucionando assim os conflitos existenciais. E sempre caminhar com autonomia para poder atingir os objetivos pretendidos.


Hammed

sábado, 20 de fevereiro de 2021

O DESERTO "Hodiernamente, o deserto pode ser considerado como a viagem de interiorização, na busca da realidade que se é. A mente, auto-analisando-se, percebe quais as necessidades verdadeiras e aquelas secundárias que são distrações, mediante a busca do poder e do prazer, facultando-se eleger as melhores diretrizes para conseguir a superação do sofrimento, o encontro com Deus, que no mundo agitado faz-se quase impossível de o conseguir. Nessa região inexplorada e desértica da alma, o Espírito refrigera-se na esperança, renovando a coragem para enfrentar as refregas do cotidiano""




                                                      O DESERTO




Em face da balbúrdia que estruge voluptuosa em toda parte, o ser humano movimenta-se aturdido, sem rumo.


A sensibilidade emocional aguçada, em decorrência da ansiedade como da frustração, torna-o insatisfeito, atormentado, paranóide com tendência esquizóide que o vergasta, infelicitando-o.


Os apelos incessantes para as extravagâncias e os apetites sexuais desorganizam-no interiormente, fazendo-o sentir-se incompleto, mesmo quando tudo, aparentemente, se encontra com aspecto compensador.


Ocorre que o Espírito é o ser fundamental e não o corpo, ao qual se imanta pela necessidade de evolução, permanecendo escravo, quando jovem, pelo que gostaria de fruir e quando idoso, lamentando o que não desfrutou.


Essa dificuldade de entender o objetivo real da vida proporciona-lhe um comportamento paradoxal, pois que, podendo conquistar a liberdade, demora-se na escravidão espontânea, vivenciar a felicidade, fixa-se nos tormentos, conseguir o bem-estar pleno, detém-se na insegurança do que já dispõe.


Cada um vive exteriormente as paisagens íntimas que cultiva.


Apegando-se aos valores relativos do mundo, alegra-se e aflige-se, conquista e perde, demorando-se em vicissitudes desnorteantes.


A cada momento faz-se-lhe mais urgente a introspecção, a análise cuidadosa das aspirações, bem como dos projetos de vida.


No passado e ainda em alguns lugares no presente, homens e mulheres necessitados de paz têm buscado o silêncio em monastérios de reclusão, em eremitérios especiais, nos montes isolados, nos desertos ...


A fim de refundir o ânimo e a capacidade do povo judeu, longamente escravizado pelos egípcios, nele despertando sentimentos novos, Moisés levou-o ao deserto por quarenta anos, a fim de que tivesse tempo de avaliar a própria situação. Embora os rudes embates experimentados, criou uma cultura rígida e fiel aos postulados abraçados, que vem atravessando os milênios, sem perda do objetivo anelado.


O príncipe Sidartha Gautama, anelando pela paz, após haver experimentado o poder, a dissolução e o ócio, procurou técnicas de recolhimento sem o conseguir, até que, no deserto, adquiriu a iluminação.


Jesus, ensinando esquecimento de si mesmo, ante a imperiosa necessidade de prosseguir Uno com Deus, buscou o deserto onde jejuou por quarenta dias e quarenta noites.


Saulo de Tarso, após o encontro revolucionário com Jesus, foi para o deserto a fim de meditar, amadurecendo os conceitos novos que lhe chegaram, de modo que não lhe diminuísse o ânimo nem o devotamento, quando se resolveu por dedicar-se ao ministério de iluminação.


O deserto, facultando a solidão, o silêncio, induz o Espírito à reflexão, especialmente se buscado para essa finalidade.


Hodiernamente, o deserto pode ser considerado como a viagem de interiorização, na busca da realidade que se é.


A mente, auto-analisando-se, percebe quais as necessidades verdadeiras e aquelas secundárias que são distrações, mediante a busca do poder e do prazer, facultando-se eleger as melhores diretrizes para conseguir a superação do sofrimento, o encontro com Deus, que no mundo agitado faz-se quase impossível de o conseguir.


Nessa região inexplorada e desértica da alma, o Espírito refrigera-se na esperança, renovando a coragem para enfrentar as refregas do cotidiano, sem os atropelos injustificáveis nem os recuos proporcionados pelo desânimo.


O grande silêncio, ao qual não está acostumado invade-o, dando-lhe uma sensação de segurança e de paz, enquanto a mente desperta para o exame de si mesma, diluindo os vapores tóxicos do imediatismo, pensando no futuro irisado de bênçãos.


Ali não há lugar para conflitos, logo passam os primeiros períodos de recolhimento, quando então as ambições acalmam-se, e no seu lugar permanecem o equilíbrio e a alegria.


Em face da transitoriedade de tudo quanto é terreno, diante do permanente onde a vida se desenvolve, as questões fundamentais assomam e passam a direcionar a razão e a emoção, propiciando bem-estar, fortalecimento e harmonia.


Mesmo no convívio com as demais pessoas que se encontram em turbulência, as conquistas hauridas no deserto mais se fortalecem, estimulando ao prosseguimento das afirmações internas que agora brotam em exuberância.


A paz irradia-se do coração, e a mente encontra-se aberta às propostas do amor e da caridade, como até antes ainda não havia ocorrido.


Sem a aprendizagem na quietação da alma, nessa noite escura que o silêncio clareia de luzes formosas, o amor como a caridade são apressados, assinalados pelos interesses do ego, facilmente alteráveis, conforme o humor de cada momento. A saturação, o vazio existencial, o cansaço, assomam com freqüência porque a ação é feita de entusiasmo sem reflexão e de audácia sem sabedoria.


Conta-se que São Bernardo, certo dia, sentindo-se agitado, diante dos muitos afazeres, enquanto transitava de um para outro lado, deteve-se e refletiu: Bernardo, para onde estás correndo, se somente um destino é o correto - Jesus?! De imediato, asserenou-se, passando a resolver todas as questões em clima de alegria e de bom humor, sem pressa nem tormento.


Quando se está afadigado na busca de diferentes objetivos, superficiais uns e desnecessários outros, a vida transcorre agitada, o tempo-sem-tempo faz-se um tormento, retirando os benefícios da luta.


Por isso, torna-se necessária a ida ao deserto, a fim de conseguir-se os tesouros que proporcionam soluções adequadas e respostas próprias a todas as questões afligentes da existência.


É natural que o ser humano procure viver de maneira compatível com a época e as circunstâncias sociais em que se encontra. Todavia, é-lhe um desafio a eleição de conduta em torno da sua realidade espiritual, que não deve ser ignorada ou, quando identificada, não ser postergada .


O deserto faz parte da existência humana.

Não são poucos os indivíduos que nele se precipitam, infelizmente, nas regiões inóspitas do sentimento, vazias de realidade, abandonadas pelas aspirações superiores da vida. É o abismo da alma, ao qual se atiram aqueles que perdem os objetivos imediatistas, que desfalecem nos combates por falta de confiança em novas batalhas, que se entregam ao medo, à frustração ou se deixam consumir pela revolta, pelo ódio, pelo ressentimento ...


Nessa área de difícil saída estorcegam aqueles que se descuidaram de si mesmos e rumaram pelos caminhos sem saída apresentados pela ilusão.


Quando buscado conscientemente, para meditar, orar, descobrir-se, o deserto refloresce em uma primavera intérmina sob os cuidados de Jesus.


Joanna de Ângelis

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

VELHOS HÁBITOS "" AS CHAMADAS VICIAÇÕES RESULTAM DO MEDO DE ASSUMIR O CONTROLE DE NOSSA VIDA E , AO MESMO TEMPO, DO MEDO DE NOS RESPONSABILIZARMOS POR NOSSOS ATOS E ATITUDES ,PERMITINDO QUE ELES FIQUEM FORA DE NOSSO CONTROLE E DE NOSSAS ESCOLHAS""




                 VELHOS HÁBITOS


 "... O corpo não dá cólera àquele que não a tem, como não dá os outros vícios; todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito; sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade?..." (Cap. IX, item 10)




Em primeiro lugar, é necessário conceituar que vícios são dependências vigorosas e profundas de uma pessoa que se encontra sob o controle de outras ou de determinadas coisas.


Portanto, deve ser considerado como vício não apenas o consumo de tóxicos e de outros produtos de origem natural ou sintética. O conceito é mais amplo. Analisando-o em profundidade, podemos interpretá-lo como atitude mental que nos leva compulsoriamente à subjugação a pessoas e situações.


Muitos de nós aprendemos a ser dependentes desde cedo, dirigidos por adultos superprotetores que nos imprimiram "clichês psíquicos" de repressão, que se refletem até hoje como mensagens bloqueadoras dentro de nós e que não nos deixam desenvolver o "senso de autonomia" e de independência.


Outros trazem enraizadas experiências em que lhes foi negada a possibilidade de exercer a capacidade de seleção de amigos e parceiros afetivos, em virtude da intervenção de adultos prepotentes.


Essa nociva interferência torna-os mais tarde indivíduos de caráter oscilante, indecisos, assustados e inseguros. Outros ainda, por terem sofrido experiências conflitantes em outras encarnações, em contato com criaturas desequilibradas e em clima de inconstância e desarmonia, são predispostos a renascer hoje com maior identificação com a instabilidade emocional.


Dessa forma, entendemos que os fatores que propiciam os vícios e as compulsões ocorrem em ambientes familiar sociais desarmônicos, desta ou de outras encarnações, onde deixamos as pressões, traumas, coações, desajustes e conflitos se enraizarem em nossa "zona mental" ou "perispiritual", porquanto os vícios não passam de efeitos externos de nossos conflitos internos.


Vale ressaltar que nossa sociedade, a rigor, é extremamente "machista", razão pela qual muitas mulheres foram educadas para aceitar comportamentos dependentes como sendo "atitudes femininas", o que as leva a viver dentro de "demarcações estreitas" do que elas devem ou podem fazer.


O vício do álcool, sexo, nicotina, jogos diversos ou drogas farmacológicas são formas amenizadoras que compensam momentaneamente, áreas frágeis de nossa alma desestruturada. Aliviam as carências, as ansiedades, os desajustes, as tensões psicológicas e reduzem os impulsos energéticos que produzem as insatisfações e o chamado "mal-estar interior.


Pode parecer que as opções vício/dependência disfarcem ou abrandem a "pressão torturante", porém o desconfo permanece imutável.


O álcool e a droga são sedativos ou analgésicos, mas acarretar gravíssimas consequências, são denominados "vícios autodestrutivos".


A comida é uma dependência considerada, de início, "vício neutro", para, depois, transforma numa "opção de fuga" negativa e profundamente desorganizadora do nosso corpo físico/psíquico.


Há manias ou vícios comportamentais tão graves e sérios que nos levam a ser tratados e considerados como pessoas de difícil convivência, isto é, inconvenientes:


- Vício de falar desconsoladamente, sem raciocinar, desconectando-nos do equilíbrio e do bom senso.


- Vício de mentir constantemente para nós mesmos e para os outros, por não querermos tomar contato com a realidade.


- Vício de nos lamentarmos sistematicamente, colocando-nos como vítima em face da vida, para continuarmos recebendo a atenção dos outros.


- Vício de nos acharmos sempre certos, para podermos suprir a enorme insegurança que existe em nós.


- Vício incontido de gastar desnecessariamente, sem utilidade, a fim de adiarmos decisões importantes em nossa vida.


- Vício de criticar e mal julgar as pessoas, para nos sentirmos maiores e melhores que elas.


- Vício de trabalhar descontroladamente, sem interrupção, para nos distrairmos interiormente, evitando desse modo os conflitos que não temos coragem de enfrentar.


Inquestionavelmente, as chamadas viciações resultam do medo de assumir o controle de nossa vida e, ao mesmo tempo, do medo de nos responsabilizarmos por nossos atos e atitudes, permitindo que eles fiquem fora de nosso controle e de nossas escolhas.


Quaisquer que sejam, contudo, os motivos e a origem de nossos "velhos hábitos", urge estabelecermos pontos fundamentais, a fim de que comecemos indagando "por que somos" dependentes emocionalmente e "qual é a forma" de nos relacionarmos com essa dependência.


Aqui estão alguns itens a serem também observados e que provavelmente nos ajudarão a ser mais independentes, além de capazes de satisfazer nossos desejos e vocações naturais. Ao mesmo tempo, nos permitirão estar junto a pessoas e situações sem tornar-nos parcial ou totalmente dependentes delas:


Aguçar nossa capacidade de decidir, de optar e de escolher cada vez mais livre das opiniões alheias. - Combater nossa tendência de ser "bonzinhos", ou melhor, de desejar ser sempre agradáveis aos outros, mesmo pagando o preço de nos desagradar.


- Estimular nossa habilidade de dizer "não", quantas vêzes forem necessárias, desenvolvendo assim nosso "senso de autonomia", a fim de não cair nos "modismos" ou "pressões grupais".


- Estabelecer no ambiente familiar um clima de respeito e liberdade, eliminando relações de superdependência "simbióticas", para que possamos ser nós mesmos deixemos os outros serem eles mesmos.


Criar padrões de comportamentos positivos, pois comportamentos são hábitos, e nossos hábitos determinam a facilidade de aceitarmos ou não as circunstâncias da vida.


- Conscientizar-nos de que somos seres humanos livres por natureza, mas também responsáveis por nossos atos e pensamentos, pois recebemos por herança natural o livre-arbítrio.


- Cultivar constantemente o autoconhecimento:

• reforçando nossa visão nos traços de nossa personal: de que já conhecemos;

• buscando nossos traços interiores, que ainda nos desconhecidos;

• analisando as opiniões de outras pessoas que, ao contrário de nós, já conhecem o nosso perfil psicológico; aceitando plenamente nosso lado "inadequado", sem jamais escondê-lo de nós mesmos e dos outros, tentando, porém, equilibrá-lo.


Meditemos, pois, sobre essas ponderações que, com certeza, nos ajudarão a libertar-nos dessas " necessidades constrangedoras", cujas verdadeiras matrizes se encontram na intimidade de nós mesmos.


Hammed

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

VISITAR ENFERMOS '''' FAZE-TE PRESENTE JUNTO AOS ENFERMOS, QUANTO TE SEJA POSSÍVE. A SAÚDE, NA TERRA, É DOM PRECIOSO , QUE SOFRE PERIÓDICAS ALTERAÇÕES , CONVIDANDO AS PAUSAS DE REFLEXÃO E DE ESFORÇO INTERIOR.[...] NA DOENÇA, TODOS SE RENOVAM COM UM SORRISO GENTIL, UMA PALAVRA DE ÂNIMO , UMA VISITA FRATERNAL , DEMONSTRANDO-LHES QUE NÃO ESTÃO A SÓS NO TESTEMUNHO EVOLUTIVO.""

 



                VISITAR ENFEMOS :




A vida moderna exaustiva e, às vezes, extravagante, por necessidades reais e imaginárias, toma as horas físicas e mentais dos seres humanos, sobrecarregando-os de preocupações que os estressam. Em conseqüência, os distúrbios de comportamento aumentam a sua estatística tormentosa, demonstrando que as grandes conquistas de fora não conseguiram harmonizar a criatura interior.


A desenfreada ansiedade e a incessante busca pela posse de artefatos e de coisas para preencher o vazio existencial, de forma alguma lograram plenificar aquele que se afadiga pelo conseguir.


Aplicando todo o tempo disponível na realização desse objetivo que parece básico para uma existência feliz, empenha-se cada vez mais, não se dando conta de outros valores que permanecem aguardando a sua atenção e interesse.


Dessa forma, após conseguirem aquela meta inicial, perdem o encanto todos aqueles que assim procediam, transferindo para as coisas o tormento íntimo, continuando tão frustrados quanto antes, por constatar a falta de sentido e de significação de que aparentemente se revestem.


Somente possui valor aquilo que pode ser envolvido pelo amor, preenchido pelo amor, irradiando amor.


Não é, pois, na quantidade, que está a solução dos problemas emocionais, mas na qualidade da conquista, no seu objetivo relevante.


Em face dessa circunstância, a que representa ambição desmedida, as amizades são apressadas, os conhecimentos humanos são superficiais, as afeições são interesseiras, não harmonizando de forma significativa a emoção pessoal.


Diz-se que esse é um mecanismo de autodefesa, de que se utilizam as criaturas humanas, a fim de evitarem sofrer dilacerações interiores, prejuízos psicológicos, tendo em vista os insucessos iniciais experimentados.


Não têm razão, porém, esses que assim pensam. O importante não é a resposta que advém da oferta que se faz, mas é, ela em si mesma, que tem significação, mediante o enriquecedor ato praticado.


Se, por acaso, produz conseqüências inamistosas ou gravames perturbadores, a raiz desse efeito encontra-se naquele que responde mal ao bem que recebe, merecendo ser realmente assistido, porque é portador de desequilíbrio e de tormentos, de que talvez não se dê conta.


O escrúpulo, que nasce do pessimismo, é tão negativo quanto o entusiasmo, que resulta da irreflexão.


Dessa forma, amigos surgem, passam e desaparecem, substituídos por outros igualmente transitórios, rápidos.


Vale, porém, a pena, investir mais no ser humano, oferecer-lhe mais luz de entendimento e de confiança, de respeito e de estima.


Altera, portanto, a tua maneira de relacionar-te. Cuida mais e melhor dos teus conhecidos e evita revidar com animosidade as ondas mentais molestas que te enviam os inimigos.


Reserva-te alguns minutos diários para a fraternidade, embora a agitação dos teus compromissos, e constatarás quanto este comportamento te fará bem.


Nem todos que se te acercam são frívolos ou insensatos, como pensas. Examina com mais cuidado as pessoas a quem te afeiçoas e descobrirás tesouros de amizade que te surpreenderão.


Há muitos amigos que te estimam, e quando desaparecem da tua presença, talvez não seja por ingratidão ou indiferença, mas porque foram compelidos a distância, porque passam por dificuldades que desconheces, por compromissos novos, ou vitimados por enfermidades.


Procura informar-te sobre eles, quando lhes notes a falta.


Se enfermos, visita-os, levando-lhes a tua solidariedade, a tua palavra de amizade, a chama da tua fé espiritual.


Essa atitude constitui generosa fonte de caridade que é pouco praticada.


Se, de todo, as circunstâncias não te permitirem, embora sempre possas fazê-lo se te empenhares honestamente, escreve-lhes algo, endereça-lhes vibrações de saúde, telefona-lhes, diz-lhes que os estimas e que lhes sentes a ausência.


Faze-te presente junto aos enfermos, quanto te seja possível. A saúde, na Terra, é dom precioso, que sofre periódicas alterações, convidando a pausas de reflexão e de esforço interior.


Usa-a para espalhar o bem-estar e não apenas para amealhar valores passageiros.


Aplica-a também em favor do teu próximo, o irmão que padece enfermidades e experimenta sofrimentos, muitas vezes disfarçados em sorrisos pálidos e rostos esquálidos.


Assim agindo, distribuindo bênçãos, recolherás preciosas gemas de paz e de bem-estar.


Somente é possível valorizar-se algo, quando se tem carência ou necessidade inadiável.


Na doença, todos se renovam com um sorriso gentil, uma palavra de ânimo, uma visita fraternal, demonstrando-lhes que não estão a sós no testemunho evolutivo.


Doa, portanto, hoje, e estarás acumulando haveres que não enferrujam, as traças não roem, os ladrões não roubam.


Quando visitares enfermos, não lhes imponhas a descrição do seu quadro orgânico ou emocional, exigindo que te narre o problema de saúde que vem sofrendo.


Se te aborda o tema, ouve-o com atenção e evita aumentar-lhe a preocupação, falando sobre outros dramas e tragédias do teu conhecimento.


Sê otimista sem exagero, realista sem crueza. Conversa, edificando, se a ocasião o permitir.


Não prolongues a tua visita, tornando-a cansativa. Atua de forma que o paciente anele pelo teu retorno à sua cabeceira.


Conforta-o com uma leitura edificante, com notícias auspiciosas, com uma oração refazente.


Se ele solicitar-te a aplicação de passes, faze-o sem jactância, não deixando falsa impressão de cura milagrosa ou pronto restabelecimento. A caridade é gentil e discreta, bondosa e calmante.


Diante de alguém enfermo, recorda-te de Jesus e entrega-o à Sua proteção, procurando ser o instrumento de que Ele se possa utilizar para encorajá-lo e apaziguá-lo.


Sempre, pois, que possível, visita os irmãos que se encontram enfermos.


Joanna de Ângelis

POSTAGENS ATUAIS

AUTOCOMPAIXÃO: "Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas."

  Psicologicamente,  o homem que cultiva a autopiedade desenvolve  tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se ...